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sexta-feira, 29 de junho de 2018

RICO AOS 40

Obviamente, em qualquer momento da vida, deve ser ótimo ser rico.
Mas imagine ser rico aos 40: as pessoas já não nos enganam tão facilmente, sabemos diferenciar bajulação de comprometimento, identificamos de forma mais precisa quem sim, quem não e quem nunca.
Aos 40, vivemos como um meio-campista habilidoso e experiente: corremos menos, mas produzimos mais e melhor, embora ainda tenhamos fôlego para os “piques” necessários. Antevemos jogadas, arriscamos com mais objetividade, somos donos de uma cadência mais precisa e cada lance tem exatamente a nossa cara, a nossa impressão, o nosso manifesto.
Imagine só que maravilha ser rico aos 40, quando a gente finalmente enxerga além das aparências, quando percebemos que a beleza que vem de dentro realmente é infinitamente superior a um corpo bem delineado, um par de olhos estonteantes ou uma boca sensual. E sim, essas coisas seguem sendo interessantes. O que muda são os critérios, as prioridades.
Certamente deve ser uma bênção ser rico num estágio da vida onde a gente percebe com clareza a diferença entre perda e livramento, entre o inevitável e a escolha, entre sucesso e ilusão.
Os 40 nos trazem a maturidade de saber quando partir. De perceber quando ficar. Aprendemos a importância do silêncio e o peso da fala.
Temos a consciência plena de que sempre podemos ser melhores. E, via de regra, ainda temos um tempo razoável para praticar isso.
Aos 40, o café tem outro gosto, a pizza tem mais sabor, o mundo tem mais cor. Pequenos e singelos momentos ganham grande relevância. E somente é assim porque a vida já nos ensinou de forma bastante incisiva o valor de cada coisa e de cada instante. É bem possível que já tenhamos aprendido que perdoar é uma bênção que traz infinitamente mais benefícios a quem perdoa.
Provavelmente já tenhamos entendido que na maioria das vezes o passado só nos fere quando assim permitimos. Que o dia de hoje realmente é um presente. E que o futuro, apesar dos pesares, depende única e exclusivamente de nós.
Aliás, não devemos esperar muito do passado... o que vem de lá não traz novidades. Os 40 nos ensinam a sermos seletivos o suficiente, no sentido de armazenar o que serve e deixar definitivamente para trás o que é pó. Somos obrigados a levantar âncora e fugir dos escombros.
Nesse período do vida já absorvemos e compreendemos plenamente a sabedoria da natureza, que fez o ser humano com dois olhos, dois ouvidos e somente uma boca. E esse é um aprendizado muito valioso.
Já pensou? Imagine ser rico aos 40... com marcas e feridas já cicatrizadas, cada uma delas lembrando e representando um momento importante que forjou o que somos e o que nos tornamos.
Quem já constituiu família tem parceria pra vida, pra dividir problemas e conquistas, pra comer pipoca assistindo um jogo, roncar enquanto o outro está vendo o filme que foi convidado/obrigado a olhar, pra xingar em dupla a conta da luz e o salário que não dá até o final do mês. E pra escolher em equipe qual será a “indiada” nas férias.
Nesse caso, é possível aproveitar melhor os filhos e ter a certeza de que cada conquista deles é infinitamente mais importante e gratificante do que as nossas. Finalmente temos a dimensão do que é amor de verdade. Dependendo da idade, os filhos finalmente entendem porque os pais são tão chatos antes e porque certamente continuarão sendo.
Ao 40 aprendemos a abandonar ciclos. Compreendemos que “tudo bem” se não for possível ter reciprocidade em relacionamentos. Não somos responsáveis pelo amor do outro, mas sim pelo amor que somos capazes de entregar. E se no auge de nossa entrega a pessoa não for capaz de perceber a importância e o valor disso, aceitamos que o problema não está em nós. Não podemos e não seremos definidos por aquilo que os outros fazem ou deixam de fazer, e não seremos eternamente feridos por sua incapacidade de amar.
O adeus dói, mas também é libertador. Não devemos fazer morada – nem mesmo repousar -onde não somos bem quistos, onde não somos desejados de verdade, onde sejamos forçados a “caber”.
Aos 40, abandonamos a autossabotagem. Dessa forma, muitos optam em seguir “sozinhos”. E são felizes, porque aos 40 eles já sabem exatamente quem são. E isso é suficiente para seguirem adiante, vivendo plenamente. A “metade da laranja” é uma lenda, que nessa idade já não assombra ninguém. Pelo menos ninguém em sã consciência.
Buscamos ser melhores do que aqueles que nos antecederam. Pra muitos o “eu te amo” ainda é uma frase difícil, mas tentamos. Exercitamos. E somos melhores na arte de amar, nos doamos mais, nos entregamos mais. Somos mais humanos. Somos mais gente. Mais sinceros. Portanto, mais íntegros.
Imagina, ser rico aos 40...
Saber e querer ficar em casa, sem a angústia do mundo exterior. Ter alguém que nos proteja, que faça tudo por nós. Ter alguém para quem sejamos inspiração, exemplo. Ter alguém pra dividir e pra somar. Encontrar felicidade num sorriso, num abraço, num chimarrão.
Ou simplesmente termos a nós mesmos. Acharmos um ponto de equilíbrio. Entender que muito pouca coisa é imutável de fato.
Não, a vida não é menos importante, ou “menor” antes dos 40. Ao contrário. Ela é maravilhosa, e é simplesmente maravilhoso constatar que segue sendo ótima e que pode melhorar ainda mais.
A imagem no espelho já não tem o mesmo viço, mas certamente ganhou mais experiência. As rugas abandonam padrões, nos libertam de estigmas. Já vivemos o suficiente para saber que não temos tempo a perder. Já perdemos pessoas suficientes para aprender que o dia de amanhã é incerteza pura. E que não devemos deixar para esse amanhã o abraço que podemos dar hoje.
Não, meu amigos. A vida não começa aos 40. Nessa fase já vivemos muito. Os 40 são uma espécie de consolidação, um pouco de colheita daquilo que plantamos até esse momento.
Ah, ser rico aos 40 deve ser demais.
Contudo, certamente o mais importante e interessante é chegar nessa fase da vida sem grandes – ou nenhum – arrependimento. É saber que até esse momento temos feito tudo da melhor maneira possível. É lutar os bons combates, defender as boas causas. É ter hombridade suficiente para corrigir erros, voltar atrás e dar um passo adiante de cada vez. E, finalmente, poder afirmar que, pondo de lado a falta de dinheiro (e isso é somente um detalhe), na realidade, já somos milionários. 


Caine T. Garcia



sábado, 9 de junho de 2018

PRÉ-VENDA "UM POEMA NO SUL"


MORTE

A morte é um atropelo, uma verdade de mau gosto.
Nos acompanha passo a passo, nos absorve dia a dia.
A velha morte é um novelo, que se desenrola a contragosto.
É matéria que fica tapera, numa oração sem serventia.
É a sombra que não vemos... é a sobra que não vencemos.
A morte é uma viagem indesejada, um inimigo de convivência imposta.
É um desvario, uma insanidade... certeza que paira sobre a humanidade.
É o fim de uma caminhada, é fragilidade que fica à mostra.
Vive à espreita de nossa saúde, ora por nossas mazelas e desesperos.
Dorme ao nosso lado, habita nosso mundo, na busca por sono eterno.
Anseia por nossos descuidos, afronta os nossos desejos.
A morte debocha da vida, pouco se importa com céu ou inferno.
A morte é um verso mal escrito, uma voz desafinada...
É instrumento indefinido, melodia mal acabada...
É existência proscrita... é dança vil e descompassada...
A morte é uma traidora, beijando faces sem nem ganhar trinta moedas.
Sim, morte, o teu beijo não vale nada, mesmo custando vidas.
Não há conforto na dor, não há amparo na queda...
Não existe azar e nem sorte, somente final e partida.
Sim, morte, tu és bem pior do que Judas Iscariotes.
Paz aos que se foram... mas a morte não nos merece.
Luz para os que ficam, a morte é só uma ironia que acontece.


Caine Teixeira Garcia
Imagem: Google/Internet



UM POEMA NO SUL

Projeto "Um Poema no Sul".
Boa tarde, amigos e amigas.
Eu e meu grande amigo e parceiro Jair Silveira estamos lançando oficialmente o projeto "Um Poema no Sul". Para realização do mesmo, buscamos a parceria e o incentivo dos amigos através do financiamento coletivo.
Segue o link abaixo, para que todos possam ajudar dentro de suas possibilidades. Se trata de um grande projeto artístico e cultural, com o fim de fomentar e perpetuar nossa arte e cultura.
Contamos com todos, grande abraço!
#culturaemmovimento
#umpoemaaosul
#poesiaregional
#caineteixeiragarcia
#jairsilveira


 https://www.catarse.me/um_poema_ao_sul_3707?r

UM OLHAR À LUA


Há uns dois dias atrás, quando estava saindo do trabalho, eu vi a lua aparecer lindamente no céu. Em meus mais de quarenta anos, talvez tenha sido a imagem mais bonita dessa moça que eu tive oportunidade de vislumbrar.
Ela estava enorme e, curiosamente, no lado nascente, parecia um sol se pondo, avermelhada, em brasas, entremeada em nuvens. Algo realmente magnífico, esplendoroso.
Eu, que muitas vezes carrego minha máquina fotográfica justamente para registrar momentos inesperados como esses, naquele dia não a tinha comigo.
Peguei meu celular na tentativa de fazer algum registro minimamente próximo da beleza que estava ocorrendo frente aos meus olhos, mas logo percebi que era mais válido ficar parado, somente observando esse espetáculo do universo, apreciando cada instante. É uma imagem única, que guardarei na memória das retinas - e da alma - pra sempre.
Embora um pouco frustrado por não ter como compartilhar com os amigos esse momento raro, fiquei muito feliz por ter podido me dedicar unicamente a apreciar instantes de rara beleza. Fiquei feliz por entender o que era mais importante naquela hora.
A vida é assim, muitas vezes achamos que não estamos prontos para determinadas situações, entendemos que nos falta algo, ficamos perdidos em coisas que nos tiram o foco daquilo que realmente importa. Na verdade, muitas coisas em nossa caminhada não requerem e nem se sujeitam a uma "preparação especial".
Muitas situações acontecem e devem simplesmente serem vividas, sentidas, apreciadas.
Nos acostumamos tanto com a lua que por vezes perdemos a chance de assistir aos inúmeros espetáculos que ela, constantemente, nos oferece.
Assim é com o sol, com a chuva, com os rios, com o mar, com nossas vidas.
Mais do que ofertar um abraço, é necessário sentir, entregar-se.
Mais do que ensaiar um sorriso, é preciso verter carinho e empatia.
Mais do que realizar uma caridade, é preciso doar-se.
Mais do que discursar bondades, é preciso amar.
Mais do que registrar a vida, é preciso viver.
A lua é sempre linda, sempre deslumbrante. Às vezes nos falta é o olhar.

Caine Teixeira Garcia
Imagem Google Internet

A FORÇA DA POESIA

A poesia é sim uma agente transformadora de vidas, da sociedade, do mundo. Esteve, está e estará presente nos grandes momentos e acontecimentos mundiais, como forma de expressão, de manifestação, de resistência, de compaixão, de fraternidade, de crítica, de entrega, de solidariedade, enfim. A poesia atravessa os tempos modificando aldeias e universos. Ela é onipresente.
Em minhas andanças, tenho testemunhado e participado de fatos lindos, inusitados, e maravilhosos.
Mais uma vez tive a oportunidade de ser presenteado com momentos únicos. Durante o Seminário para o qual fui, com muita honra e felicidade, convidado a participar em Espumoso, entre os tantos momentos únicos e belos com os quais fui honrado, me sensibilizou muito o relato de uma professora (que infelizmente não perguntei o nome) que alfabetizou uma senhora de mais de 60 anos através das poesias que ela própria criava, mesmo sem saber ler e escrever. Essa senhora tinha as poesias em sua mente, e as recitava à professora que, por sua vez, as escrevia no quadro e em cadernos, criando um processo muito específico de alfabetização. E que deu certo! Hoje essa senhora consegue transpor suas ideias e suas poesia para o papel! Não é lindo, isso? Não é maravilhoso???
Isso me fez lembrar de um poema de minha autoria, "A negra poesia", cuja temática inclui fato parecido: uma escrava negra cujas poesias habitavam sua mente e seus sonhos, ainda que ela fosse analfabeta e proibida de voar em seus versos. No poema, a poesia também a libertou, embora de uma forma mais drástica.
É a inspiração e a poesia enfrentando a dura realidade e as mazelas do mundo, e efetivamente transformando vidas!
Sou realmente um privilegiado em minha senda poética.
Que a poesia seja sempre uma ferramenta do bem!!!
Gracias meu Deus!!!


 Caine Teixeira Garcia
Imagem Google/Internet

 

O PESSIMISTA

Por que tantas pessoas se deixam influenciar pelos pessimistas? Essa é uma pergunta que me faço sempre!
Parece que muitos ainda não notaram que o pessimista nada mais é do que um preguiçoso, um "vagabundo de alma". Logicamente que esse pessimismo ao longo do do tempo é manipulável a favor do pessimista, que muitas vezes também possui outros atributos nada nobres, como a inveja, a insensibilidade, a ganância, etc, etc.
O pessimismo aos que tem boa fé, aos espíritos livres, aos de alma leve, aos de coração aventureiro, aos de boa paz, aos diferenciados, aos encorajadores, aos grandes líderes, enfim, aos que possuem boas intenções e força de vontade, funciona como uma âncora, daquelas extremamente pesadas, que seguram ideias e atitudes no cais da mesmice, da inércia, do retrocesso, da covardia.
Mesmo que nossa embarcação possua motor para seguir rumo aos mares e objetivos que buscamos, se não nos livrarmos totalmente desse peso que é o pessimismo, ele, de alguma forma, irá atrapalhar, atrasar e, talvez, até mesmo inviabilizar nossas conquistas.
O pessimismo é um cupim maléfico, que corrói nosso espírito, nossa coragem, nossas ideias, nosso bom senso, nossa capacidade de ser e fazer mais.
O pessimista deve ser indesejável, não deve habitar nossos círculos íntimos de relações, deve ser extirpado. Ele é um desagregador nato.
Via de regra, é alguém que não faz nada de produtivo. É um frustrado tentando frustar os que estão à sua volta.
O repertório de frases e pensamentos do pessimista tem como base a reclamação, destazer, ser do contra. Torcer pelo infortúnio.
O pessimista prefere gastar mais tempo pensando problemas do que viabilizando soluções.
O pessimista se satisfaz com a infelicidade, com o erro, com o insucesso. Ele veio ao mundo para atormentar. O pessimista ama o caos.
Não guarde ouvido para os pessimistas. Lhes dê bom dia, mas à distância. O pessimismo é contagioso, vacine-se. Se for preciso, fuja. Não é errado fugir do mal.
Proteja sua alma, facilite seus caminhos.
Acredite que tudo é possível, longe dos pessimistas!

Caine Teixeira Garcia


PANELA

Em tudo na vida, tem PANELA:
Para nomear ao tribunal
Pra promover o general
Para passar em festival
Na apuração do Carnaval...


Para atender ao doente
Para prender o inocente
Pra olhar a vida da gente
E para soltar o traficante
...e pra escolher Presidente!

Com certeza, tem panela:
Pra beneficiar deputados
Pras molezas do Senado
Pra proteger o Delegado
E para escolher o culpado

Na hora de doar o pão
No rádio e na televisão
Na lista da convocação
E no momento da votação...
...e pra descartar opinião!

Sempre existiu a panela:
Nos grupos de amizade
Na escola e na faculdade
Em ações de solidariedade
Na história da humanidade!

Em bairro nobre e favela
Pra decidir uma tutela
Quando o playboy atropela
E pra dividir mortadela...
...pra ver quem vive em mazela!

Sabe-se que há panela:
Numa rodinha de bobo
Na RBS e Rede Globo
- Lá na matilha de lobos
Entre corretos e improbos...

Entre a polícia e o bandido
Para fazer ter sentido
Em mil poemas não lidos...
E pró Estados unidos!
... pra ver o bem, corrompido!

Há panela, com certeza:
Pra começar uma guerra
Pra dividirem-se as terras
Pra esquecer o que berra
E quando a cortina cerra...

Para chamar de vadia
Pra o homem perder valia
Pra desaprovar melodia
E pra desfazer da poesia...
... e pra desonrar a família!

Mas então o que é panela?
É um lado oculto exposto
É pouca vergonha no rosto
É ter ódio e inveja do outro
É lavar a alma no esgoto!

Pra alguns é canto seguro
Onde se vive aos sussurros
Às vezes, em cima do muro
Tendo no umbigo o futuro...
... com o caráter no escuro!

Malditas panelas que falo
Não matam sede e nem fome!
Somente desonram o Homem
- que não vale aquilo que come -
Na ganância que o consome...

CTG
BRASIL

Esse é um país mal-acabado,
Que precisa ser reinventado
Talvez, quem sabe, pelo avesso...
Pois ninguém aguenta mais
Toda essa gente que nos trai,
De pouco valor e muito preço!

Esse é um país da injustiça,
Onde a sentença se espreguiça
Em seus acórdãos magistrais...
Liturgicamente pondo em luto
Toda uma nação, onde o justo,
Pode menos que os marginais!

Esse é um país da corrupção,
Que defende e protege o ladrão,
Enquanto maltrata o trabalhador...
Igual Barrabás fez com Jesus,
O pobre é condenado pelos Sus,
E no final da fila é morte e dor!

Esse é o país do maior imposto,
Onde o povo morre de desgosto
Pagando sem retorno algum!
E ainda tem o Supermercado
Onde o assalto é legalizado
- entra com pouco, sai sem nenhum -

Esse é um país tão inclemente...
E Deus me livre ficar doente,
Não tenho bolso pra farmácia!
E que não se falte ao serviço,
Pois a patronagem tem o vício
De demitir com eficácia!

Esse é um país de politicagem,
Onde toda essa bandidagem
Se diverte às nossas custas!
Aqui a massa adota os bandidos
E os que são bons, são preteridos
E vão sendo alijados nessa luta...

Esse é um país de expiação...
Apesar da missa, culto e sessão
E mensagens da pomba gira.
Há dízimo para maus pastores,
Tem padre e médium abusadores,
E pai de santo de mentira!

Esse é um país da intolerância,
Onde a novela tem importância
Bem mais que a dor de um irmão...
Somos a pátria de chuteiras,
Enquanto um bando de calaveiras
Rasgam a nossa Constituição!

Esse é um país do carnaval...
E já acostumamos com o mal
E a insensatez dessa baderna!
De que adiantou bater panelas?
O pato amarelo é uma balela,
Só muda a cor de quem governa!

Esse é um país de mil partidos,
Propositalmente dividido,
Como haveremos de vencer?
Nosso Judiciário serve altivo
Ao Legislativo e ao Executivo,
Nesse vil projeto de poder!

Esse é um país de democracia,
E a manifestação só tem valia
Se não for contra o que se faz...
Vamos esquecer o mensalão!
Comer as carnes de papelão
E nem falar na Petrobrás...

Esse é um país autosuficiente,
Em petróleo, em semente,
Exportador de mil riquezas!
Mas permanece a inflação
Mesmo a Globo dizendo não
Há menos fartura pelas mesas!

Esse é um país do insucesso,
Em nome da ordem e do progresso
O Supremo folga na sexta-feira...
Corrompendo sonhos e estatais
Governos querem mais e mais
Deixe que rasguem a bandeira!

Esse é um país sem empatia
Pode racismo, homofobia
Mas só não pode ter opinião
O "politicamente correto"
Pare gerações de ineptos
Para qualquer contestação!

Esse é um país desgovernado,
Traficante livre e armado,
E polícia amarrada e "de a pé"
Quem manda em tudo é meliante...
Morremos muito, a cada instante
E só nos resta mesmo a fé!


Caine Teixeira Garcia
Imagens Google/Internet

PERSEVERANÇA

O mundo segue em frente quando a gente adoece, quando sofre, quando perde o emprego, quando se equivoca, se decepciona, enfim. Muitos nos incentivam para que tenhamos decisões erradas, apenas para que se sintam melhores do que nós.
Nossos ouvidos e nossas mentes devem estar atentos para tenhamos as atitudes mais sábias possíveis.
A maioria das vitórias é feita de degraus. Pular etapas, muitas vezes nos leva ao insucesso.
É necessário corrigir rotas sempre que possível, mas para melhor.
A questão é não esmorecer. É saber que as conquistas não são fáceis, mas que só acontecerão se não desistirmos. Precisamos aprender a confiar nas pessoas certas, nos conselhos sinceros e, principalmente, em nós.
Também é preciso aprender a levantar. Lamber as feridas e prosseguir.
Manter fidelidade consigo e com os amigos. Ter as mãos sempre estendidas a quem já nos deu as mãos.
Gratidão. Reciprocidade.
Perseverança. Talvez essa seja a fórmula do sucesso. Ou, pelo menos, de uma boa maneira de agir.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

SOBRE PILCHAS (E IDENTIDADE):


Tirando a parte artística (onde as invernadas de danças foram totalmente estilizadas, ok) e um mínimo de decência a ser cobrada nos bailes, penso que no dia a dia a única pilcha que deve ser obrigatória é a camisinha.
Nenhum campeiro levanta de manhã e se pilcha da cabeça aos pés, se preocupando com a "espécie" de bombacha ou lenço que vai usar. Muitos homens de campo fazem suas campereadas curtas de boné, às vezes uma bota de borracha ou até um tênis, camiseta regata e tantas outras coisas que tem à mão.
Estão mais preocupados em ter um laço bom, um pingo bueno, uma faca pras precisão e aquele "bocó" improvisado.
Quem me garantiu isso foi um gaúcho antigo, lá do fundo da bolena, falando ao celular.
Entendeu?
Muitos homens e mulheres fizeram pátria trajados da forma mais simples ou atípica possível.
Músicos, dançarinos, cantores, poetas, radialistas, compositores, dirigentes e seus movimentos e grande parte dos historiadores estão longe, muito longe de fidelizar aquilo que eram, o que representaram e menos ainda os gostos para vestimentas dos de "ontem".
Vestimenta, aliás, é o que menos determina o nosso gene gaúcho, tão cheio de riquezas entre as nossas diversas diferenciadas regiões, repletas de particularidades.
Respeito e bom senso, somente isso. Diálogo e empatia.
Sou apoiador dos CTGs, MTG e afins. Mas às vezes eles querem ser mais "antigos" que Adão e Eva. E isso tem tido efeito contrário, pois está "modernizando" e "aculturando" o meio de forma negativa, em algumas vezes.
Engraçado que tudo isso se propaga por "chasques" na internet, eles se falam por e-mail e whatsapp.
Saibamos separar as coisas, caso contrário, daqui a pouco vamos ter que andar de boleadeiras na rua, e dançar com cimitarras nas mãos.
Não necessitamos dessa eterna busca por identidade (que não se resume à pilcha), pois já a possuímos, e se forma marcante.
Separemos a realidade daquilo que criamos e cultuamos, dando a devida importância a cada uma dessas coisas.
E viva o Rio Grande.


Caine Teixeira Garcia

Imagem Google Internet

PREGUIÇA

Tô com preguiça
dessa gente chata
Que nunca dá ponto
- e que não desata -
Tô com preguiça
dessa gente pobre
Pobreza de espírito
- jamais dos "cobre"!
Tô com preguiça
dessa gente ruim
Com essa maldade
que não chega ao fim
Tô com preguiça
dessa gente adulta
Que só nos engana
e que nos insulta!
Tô com vontade
de matar saudades
De quem me emprestava
a sua felicidade
Tô com desejo,
de um abraço, um beijo
De sorrir à toa
com quem já não vejo!
Tô com vontade
de dizer verdades
Pra quem é mentira,
dor e falsidade
Tô com desejo
- enquanto versejo -
De ser menos pompa
e mais vilarejo!
Ando com medo
de saber segredos
E os deixar um dia,
escapar nos dedos
Ando sozinho
nos meus descaminhos
Me ferindo em flores
- desabrochando espinhos!
Há na inconstância
do que escrevo agora
A marca permanente
das dores das horas
E ao findar dos dias,
tudo faz sentido:
Já não sou poesia...
Sou verbo transitivo!


Caine Teixeira Garcia

Imagem Google internet

AMIGOS

Às vezes é bem difícil ver que grandes amizades da infância e da juventude tomaram rumos distantes, diferentes e independentes dos nossos. São muitas as lembranças para as quais eu daria um melhor destino, se dependesse de mim. A manutenção de amizades requer doação. O tempo e a experiência nos ensinam isso. Nas várias fases de nossas vidas, especialmente na infância e adolescência, nem sempre temos consciência ou condições de dedicarmos um pouco mais de nós aqueles que nos são caros.
Nos falta o tato, dispensamos um abraço, deixamos de dizer o quanto gostamos da pessoa e o quanto ela nos faz bem.
A vida gira os moinhos, e cada um faz sua história... muitas coisas boas e importantes, que pareciam eternas naqueles instantes, ficam pelo caminho.
Pessoas que preenchiam muito de nossas vidas se dispersam...mas permanecem em nossos corações!
Quando o acaso me mostra postagens de amigos e amigas de outrora vivendo suas vidas com seus familiares, com novos laços, em suas realizações, isso me traz muita felicidade, mas também um pouco de aperto no coração.
Um saudosismo doído e gostoso.
A vida é assim...
A todos que experimentam esses sentimentos, resta a esperança de também ser uma boa saudade a essas pessoas que, em algum momento, fizeram parte de nossas vidas.
Deus as guarde com carinho.


Caine Teixeira Garcia
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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

AMAR


Amar é difícil...

O amor cria rugas, amarrota o espírito, dobra a alma...

É um processo tortuoso, de entrega e de confiança em busca de reciprocidade, embora aconteça independentemente de resultados, porque amar é um estado aceitável de incompreensão. Amar é rebeldia!

Amar é a insônia, o desalento, a incerteza, a ferida, a dor, o corte em si, a cicatriz!

Amar é o frio que queima, o calor que gela...

Amar dói! É duro amar...

Amar é complexo, indefinição extrema. É prisão perpétua. Condenação!

É temer o voo...

Amar é a dúvida, o mundo do avesso, a inquietude, o excesso de apego, o encantamento febril.

É ter sede e fome...

Amar é a insanidade dos bons. É tatear no escuro. É não saber do fim.

É querer controlar o tempo...

Amar é fácil...

Porque nos afeiçoamos às rugas, acalmamos o espírito, flexibilizamos a alma...

Aprendemos a receber e a entregar confiança, somos abençoados na reciprocidade. Amar é ser compreendido em nossas imperfeições. Amar é paz!

Amar é saborear as madrugadas, e dormir sonhando em acordar. É estar satisfeito em meio a quaisquer desconfortos, é abraçar com firmeza o incerto, é lamber as feridas na certeza que de vale a pena. É ter em cada cicatriz um símbolo muito além da comum humanidade.

Amar é o frio que aquece, o calor que refresca...

Amar cura! É puro amar...

Amar é simples, categórica leveza. É liberdade incondicional. Soltura!

É ganhar asas...

Amar é a resposta, é o mundo que desejamos em nosso íntimo, é a sobriedade, é o desapego às vaidades e egoísmos, é o desencantamento com o não querer bem.

É ser fonte e alimento...

Amar é a lucidez do Homem. É farol na escuridão, é não temer o fim.

É abraçar o tempo...

A sabedoria do coração nos concede a capacidade de perceber que a real intensidade e o concreto valor da vida residem única e exclusivamente no AMOR!

Amar é felicidade.

Amar é tudo!

Caine Teixeira Garcia
Images Google/Internet 



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Em dias assim...

Há dias em que acordo me achando pouco...
Não para mim, mas para os outros!
Há dias em que eu gostaria de ser mais...
Em dias assim, me quedo absorto, a buscar forças no meu interior...
Lastimo oportunidades perdidas, refaço caminhos, reinvento estradas, em busca de um novo final...
Os pensamentos vagueiam, voam longe! O infinito me é concedido.
Há punições à minha alma pelas falhas cometidas, há um desacato temeroso a Deus pelas inconstâncias ocorridas... e permitidas!
Nesses dias em que perscutro minhas sombras, sou receoso de mim e de minhas limitações. Muitas das indagações que me faço encontram ecos no silêncio, com respostas as quais eu já sabia.
São persistentes as dúvidas. É através delas que nos tornamos peregrinos do nosso Eu.
Há dias em que acordo me achando pouco...
Pouco na fé, pouco no ser, pouco no amor, pouco no existir...pouco no viver...
Não para mim, mas para os outros.
Há dias em que gostaria de poder mais, de lutar mais, de conseguir mais, de existir mais.
De ser mais para os outros.
Nessa humanidade que nos aprisiona e nos liberta, nossa consciência é um tribunal impiedoso.
Nosso partir é certo, portanto, nossos dias são uma contagem regressiva na senda da correção interior...
Por isso, há dias em que sinto saudades da minha inocência, em que clamo por um pouco mais de sabedoria.
Há dias em que lamento os abraços que não dei, os afagos que não fiz, as palavras que guardei.
Há dias em que a culpa é maior do que a leveza, de que os sonhos são menores que a realidade, em que as lágrimas são mais fáceis do que os sorrisos.
Em dias assim, eu sofro! Em dias assim, eu cresço.
Não por mim, somente. Mas também pelos outros. Por aqueles que amo, que necessitam de mim. E também por aqueles que sequer conheço ainda. Porque é preciso evoluir sempre.
A caminhada é longa... Sou mais lento do que gostaria. Mas persisto.
Há muito de amor e poesia no trajeto.
Me perdoo e prossigo.
Não por mim, somente. Mas também pelos outros.
Há dias em que sei que acordar vale a pena. E isso é sempre.

Caine Teixeira Garcia

Imagem: Google/internet

 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

ENVENENAMENTO E CURA


Somos vítimas de envenenamento a partir do momento em que deixamos o ventre de nossas mães. Ou, porque não dizer, até mesmo nos momentos em que lá habitamos. E não estou me referindo à alimentação ou ingestão de coisas pela matéria, mas sim, pela alma, pelo espírito.
As negatividades que nos circundam, os maus fluídos, as falsidades e as incorreções de caráter à nossa volta certamente são doses fortes de um veneno que, aos poucos, vai prejudicando, sufocando e maltratando aquilo que realmente somos: seres de luz!
Esse não é um texto de autoajuda, mas sim de palavras de constatação.
No seio familiar temos os exemplos que moldam nossa educação, nossa personalidade, nosso caráter. Quando crianças, ouvimos a palavra “não” infinitamente mais do que a palavra sim, pois necessitamos ser corrigidos em nossas atitudes, a fim de que saibamos o que é melhor para nós e também o mais adequado para que vivamos em sociedade.
Mas somos quem somos, temos o nosso espírito, que é atemporal, e com o tempo vamos criando um filtro e um senso do que é correto ou não, adequamos os ensinamentos na medida daquilo que entendemos por ser justo e certo.
A bagagem que trazemos a cada vez que visitamos o plano material também nos norteia, tendo algum peso durante o processo que nos molda.
É certo que em algum momento, aquela frase “faz o que eu digo mas não faz o que eu faço” ganha sentido em nossas vidas, especialmente ao analisarmos conselhos e atitudes de pessoas que nos são caras e próximas. Percebo que a decepção é algo inevitável em nossa trajetória. E precisamos entender que ela só existe porque tem origem em algo de incorreto que percebemos nas atitudes de alguém que amamos, nas imperfeições daqueles a quem queremos bem. Aquelas pessoas pelas quais não temos apreço não nos causam decepções.
E assim vamos indo... nos envenenando aos poucos, com essas decepções, com as traições, com os maus exemplos, com os infortúnios de nossa humanidade!
A falta de atenção e o desamor nos envenenam, nos tornando mais duros e ásperos, angustiados, aflitos e carentes, sujeitos a cada vez mais armadilhas do destino e, consequentemente, a novos cálices de veneno.
Falsas amizades nos tornam desconfiados e céticos, muitas vezes nos deixando incapazes de confiar novamente. Esse é um dos piores envenenamentos, sendo a amizade essencial para o ser humano e sua evolução. Sem amigos, pouco somos...
Durante nossa caminhada terrena somos envenenados diariamente: fartas e pesadas doses de cobiça, preguiça, desleixo, ódio, conflitos, inveja, luxúria, ganância, mentiras, rivalidade, incoerência, etc, etc, etc.
Contudo, o processo evolutivo tem sua sabedoria. Aqueles que conseguem vencer essas barreiras acabam se tornando imunes a esses envenenamentos. Ou, pelo menos, amenizam seus efeitos, pois o veneno tem em si o remédio, e o sofrimento traz em si a redenção.
Um coração machucado definitivamente se torna mais qualificado para amar, e acaba sendo preenchido por quem realmente merece, por aquilo que efetivamente lhe faz bem: o amor.
Acabamos aprendendo a valorizar as verdadeiras amizades, entendendo que esse é um sentimento que deve ser cultivado e priorizado sempre em qualidade, e não em quantidade.
A vida acaba nos ensinando a driblar as armadilhas, a diferenciar o certo do errado, ainda que através da dor. E as cicatrizes que ficam nos lembrarão de nossas vitórias, de como somos fortes e capazes de lutar por aquilo que realmente vale a pena.
Somos envenenados sim, dia após dia. E esse envenenamento é a nossa cura.
Cada sorriso verdadeiro é a cura para o veneno da tristeza. Cada abraço sincero é um tratamento contra a falsidade. Cada gota de amor compartilhada é um pouco de cura para tudo de ruim que existe nesse mundo tão maravilhoso e ao mesmo tempo tão difícil de ser vivido.
Somos seres de luz. Portando, a cura para todos os males está em nós, no amor que possuímos e na capacidade que temos de absorver os venenos do mundo, os transformando em bênçãos para nós e para todos aqueles que amamos.
Sorria, cante, dance e agradeça pelos dias vividos e por aqueles que ainda virão, pois tudo que é ruim há de passar. No fim, restarão somente as coisas boas. Todo fel será transformado em paz. Basta escolhermos o caminho do bem, que é a cura para todos os males.
Eu creio! E tu?
Caine Teixeira Garcia
Imagem: autor desconhecido/Google

sábado, 3 de fevereiro de 2018

PAZ ESPIRITUAL


Muitas pessoas reclamam que não conseguem ter paz, que o dia a dia corrido praticamente não permite esse conforto espiritual. Contudo, grande parte dessas queixas nascem da falsa percepção de que a paz interior depende quase que exclusivamente das questões externas. E isso definitivamente não é verdade.
Se é correto que muitas questões fogem ao nosso controle e acabam afetando esse estado de espírito, também é fato que a maneira como lidamos com elas é um fator preponderante e decisivo para que as coisas não tomem uma proporção prejudicial em nossas vidas.
Com o passar do tempo, é necessário que aprendamos os benefícios do silêncio em muitas situações, por exemplo.
Quem nunca ouviu aquele ditado que afirma que "às vezes é melhor estar em paz do que estar certo"? Ele diz muito sobre nossas opções frente a problemas, embates e conflitos do cotidiano. Quais batalhas realmente queremos travar? Quantas merecem efetivamente serem travadas? Escolhas! Sempre elas...
Mas não pensemos que a paz reside somente na calmaria. Muito pelo contrário. Não raro ela é conquistada através de muita luta, muito posicionamento, muitos murros "em ponta de faca"! Pois estar em paz também é travar e lutar o bom combate, é ter a consciência tranquila, é estar ciente de que o melhor de nós foi dado em cada momento, em cada decisão.
A paz espiritual é uma soma de fatores. Quanto mais sábios nos tornamos, mais facilmente a encontramos. E digo sábios no sentido de compreendermos quem somos e o que queremos para nós e para aqueles a quem amamos.
Embora difícil, creio que seja possível sim, "gerenciar" nossa paz, mesmo que minimamente.
Bons valores, firmeza de caráter, compaixão, empatia, amor ao próximo, equilíbrio e fé são alguns dos ingredientes a serem administrados nos momentos de reflexão.
Em momentos de crise, de angústia, de desespero, e nos atropelos da vida, uma boa reflexão é sempre capaz de nos responder quanto vale a nossa paz...
A paz também se alimenta da bondade. E a nutre!
Às vezes é preciso ter mais coragem para resistir aos enfrentamentos do que para abraçá-los.
Enfim, me parece que a paz espiritual depende muito mais de nós mesmos do que de terceiros, ao menos na maioria das vezes.
O amadurecimento nas tomadas de decisões e a capacidade e a consciência plena de conviver com elas é parte essencial nesse processo.
Alimentando a ideia de que essa paz então é feita de muitos momentos (pequenos e grandes), não é loucura pensarmos que esse somatório de instantes positivos também seja o caminho da felicidade.
Nunca esquecendo que a felicidade é o caminho.
Portanto, estejamos em paz. E felizes!


Caine Teixeira Garcia.

Imagem Google/Internet

NA MADRUGADA

Horário em que reflito, escrevo e, na maioria das vezes, desisto...
Deleto minhas divagações e me prendo à leitura e a observação.
São inúmeros os filósofos, escritores, pensadores e formadores de opinião na minha linha do tempo, e milhares os assuntos. Alguns de cunho autoral, mas 99% - ou mais - frutos de um "copia e cola" desenfreado. Muitos deles com citações mentirosas, autorias incorretas, contextos equivocados.
E, ainda assim, compartilhados.
Desfruto de belos pensamentos motivacionais, repletos de segredos e dicas para "darmos certo". Eles perdem um pouco do encanto, pois sei que não resistem ao amanhecer... simplesmente por serem surreais, absurdos, fantasiosos. Coisas que na maioria das vezes vão muito além das forças e da capacidade de um ser humano normal.
Leio coisas realmente bonitas... mas nada práticas.
Fico perplexo com a quantidade de compartilhamentos que alguns textos alcançam, apesar da pobreza de seus conteúdos e da fragilidade de suas ideias.
As redes sociais são ótimas, tirando o seu lado péssimo. É uma democracia extremada, que mais desinforma e emburrece, do que o contrário.
Está quase impossível falar sério no Facebook, por exemplo. São muitos opinadores formados "na tela", profundos conhecedores do "achismo", envoltos no manto da "igualdade obrigatória".
A legião de imbecis de que Umberto Eco falava está cada vez maior. Essa gente torna o mundo chato, pesado, monótono, sem cor.
Não há como discutir com ignorantes, eles ganham na experiência.
Se sobrevivermos a esses tempos de preguiça mental e espiritual, talvez tenhamos chance.
De toda sorte, ao menos, sempre haverá a poesia...

O ANO NOVO NÃO EXISTE

O ano novo não existe... O dia novo sim.
Não há o que esperar de 2018, pois ele é uma invenção. A única contagem que realmente importa é a das nossas vidas, dos nossos cotidianos, de cada novo amanhecer, nessa sequência infinda através das gerações.
Não ponha fé em 2018, ponha fé em ti, nos teus sonhos, na tua capacidade, na tua entrega, na tua luta.
Não espere que 2018 te entregue um novo amor, um emprego melhor, amizades mais sinceras. 2018 é uma fantasia. Tu és a realidade.
Aproveite a confraternização, mas saiba que 2018 é apenas um apelido para a sequência da vida. Um número e nada mais. Tu és carne e osso, mente e espírito.
Otimiza o teu tempo, seleciona tuas amizades, invista no teu amor, valoriza o teu talento.
Presta atenção ao que o coração sussurra e tenha paz em tua alma.
Não espere novidades e surpresas vindas das velhas formas de pensar, fazer e existir.
Arrisque-se para o melhor.
Busca as melhores energias junto aos teus, e compartilha as tuas com eles.
A felicidade é o caminho. E a consciência tranquila, o maior bálsamo.
Seja feliz!

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O CHEIRO DA INFÂNCIA




Por vezes, ando perdido, "me encontrando em mim"...

Durante as inconstâncias do dia a dia, quem nunca parou para respirar ou para tomar um fôlego? Quem nunca se aquietou a fim de realinhar os rumos, e encontrar o tino certo para a caminhada? Quem nunca buscou asilo momentâneo nos próprios pensamentos ou serenou para buscar a paz interior, no intuito de lamber suas feridas? Quem nunca?

Nessas horas mais desamparadas, quando a fadiga psicológica é enorme, não raro, eu sinto o cheiro da minha infância... é quase infalível. Parece que o ato de “ausentar-me” do mundo, funciona como uma espécie de cápsula do tempo, que me devolve aos primórdios da minha vida.

E não é ruim, muito pelo contrário.

Penso que o estado meio involuntário - embora consciente - de estar mais absorto, privilegia meus sentidos, aguçando minha “memória olfativa”.

O olhar mais atento - ou desprovido de distrações - e o cotidiano como um todo, também são capazes de realizar essa magia. O café com leite, o sol queimando na pele ou o frio das geadas grandes que costumam embelezar as manhãs aqui do sul do sul...

O aroma das folhas de um caderno ou de um livro novo... a chuva levantado a poeira das ruas, a umidade pairando no ar...

Até mesmo as esquinas e as pedras das ruas, caserios e calçadas, "bolichos" antigos... o campo, a terra, ranchos, galpões, taperas e potreiros... algumas paisagens antigas, que vislumbro e me fazem retroceder algumas centenas de anos (eu sei!).
Uma pandorga solta ao vento, uma bicicleta antiga, cicatrizes (da matéria e do espírito), os quase extintos carrinhos de rolimã: tudo isso me remete aos tempos de infância, no momento em que a sensibilidade aflora! O encontro com antigas amizades, um mate que se acomodou bem da forma como alguém importante já cevou um dia, em tempos idos... um sorriso sincero, um abraço apertado, um dia cinzento...
Um gorjeio de pássaro, triste ou feliz, que entoa exatamente as mesmas notas que marcaram minha vida em algum distinto momento, lá longe no tempo...
Contudo, poucas coisas me trazem essa sensação tão boa e de forma tão intensa, quanto os dias quentes, ensolarados e floridos da primavera.

Ah, o florescer da primavera, com seu colorido perfumado, marcando mudanças profundas nos ânimos da natureza e do nosso meio, gritando esperanças. 
Tenho a impressão de que meus melhores dias de infância foram vividos nessa estação. Memórias totalmente espontâneas, indescritíveis e inesperadas me vêm à mente quando esses fatores peculiares e primaveris entram em cena. Uma grande parte desses importantes - e simples - momentos que volto a desfrutar, está intimamente ligada a questões familiares, detalhes singelos de paz, calmaria e ternura. E acreditem, não foram tantos assim.

Talvez por isso eu valorize tanto essa estação maravilhosa, que traz consigo o cio das descobertas, de novos aromas e o despertar da coragem no corpo e na alma. Certamente é por isso que o desabrochar das flores se faz tão especial aos meus olhos: minha infância talvez não tenha sido tão fácil quanto a da maioria das crianças, mas eu acreditei nas primaveras. Eu escolhi crescer e florescer! Eu preferi seguir os melhores aromas, os caminhos mais esperançosos e iluminados. E ainda sigo em busca de tudo isso.

Eu espero estar bem longe do ocaso terreno das minhas primaveras, pois quero seguir olfateando minha infância a cada novo setembro, pois isso me renova e revigora. Dessa forma, eu sei melhor de onde vim, os caminhos que trilhei e tenho a possibilidade de relembrar as escolhas que fiz, mantendo acesa a esperança e a constância de progredir.

É sempre um bálsamo perceber que, apesar de tudo, a vida sempre guarda bons momentos, e que somos capazes de revivê-los de alguma forma. Mesmo nas dificuldades, mesmo quando estamos diante de obstáculos que parecem intransponíveis, ainda assim, haverá a primavera. Mesmo que estejamos desguarnecidos pela nossa vulnerabilidade ou inocência, ou pela nossa culpabilidade e prepotência, ainda assim, existirão as flores.

Isso, de fato, me conforta!

Seja bem vinda, primavera!