A folha em branco é um desafio...
um nada em busca de tudo... ou de parte... é o desleixo – ou a ingratidão – da arte.
É o silêncio, em busca da palavra... é a palavra escondida pela escrita vazia,
no pensamento não externado... é hemorragia contida, futura sangria desatada.
A folha em branco me assusta!
Fala muito do que não foi dito, do que está guardado... ou, que não foi,
sequer, ainda pensado.
É mar silente e revolto...
superficial e profundo... é aldeia e o mundo!
A folha em branco é promessa...
sonho realizado ou frustração! Contém o expresso e o oculto, o sim e o não...
É o poeta cansado... ou
divagando. É o poema absorto, calando... ou o verso a voar, poetizando...
A folha em branco é a vida... querendo
passar, ou simplesmente viver... é democrático espaço – ou não – a quem quiser
escrever...
A folha em branco é segredo, que
todos querem saber... talvez, o verbo indigente, que ninguém jamais declara e
muito tentam esconder.
A folha em branco é o eterno...
onde se espraia a vontade, ainda que não queira acontecer... é afirmação do
contraponto, é o nascer... e o morrer.
Quiçá um desenho ou rabisco...
intrigante princípio, do fim ou do início.
É o portal da sapiência... ou
confirmação da ignorância... é o universo e o tempo, descansando a distância.
Ela espera a pena, que lhe deseja
ou destrata... que lhe agranda ou apequena... que lhe afaga ou maltrata... é
carinhosa ou ferina... sei que o vazio não lhe basta!
A folha em branco, assim como eu,
tem sede e tem fome... sonha a fonte, para se alimentar e beber... somos bocas
caladas, com almas esfomeadas, querendo dizer...
Caine Teixeira Garcia, Bagé/RS –
26/09/2014
