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quinta-feira, 25 de junho de 2015

TRINCHEIRA DA TRADIÇÃO



Pessoas como Antônio Augusto Fagundes, o “tio Nico”, são trincheiras da nossa tradição. Talvez sejam a última fronteira que separa aquilo que cultuamos e veneramos, a nossa cultura mais genuína, de um futuro obscuro e incerto para o qual marchamos, reservado pelo tal progresso a praticamente todos os costumes, raças e povos existentes no mundo.
Qualquer ser humano é insubstituível e quando realiza sua passagem, certamente deixa um vazio que jamais será preenchido, no seio familiar e no convívio social. Contudo, algumas pessoas vêm ao mundo para desempenhar tarefas e funções de suma importância, fazendo isso de uma forma tão particular e competente, com tanta desenvoltura e simplicidade, que é inimaginável que se pense que, em algum momento, será possível sequer aproximar-se dos feitos por elas realizados. O tio Nico era uma dessas pessoas.
De uma forma geral, acredito que não exista alguém no Rio Grande que não conheça ou que não tenha ouvido falar muito do apresentador, historiador, antropólogo, poeta, diretor, roteirista, advogado, enfim... do gaúcho e mestre Nico Fagundes. Quem nunca formou ou finalizou uma frase com o bordão mais conhecido do RS: “até domingo que vem, gaúchos e gaúchas, de todas as querências”...?
A trajetória de um homem é quem melhor conta sua história, é quem melhor nos diz quem ele é, foi e/ou continuará sendo.
Antônio Augusto Fagundes não se resume ao seu lado mais conhecido, visto e apreciado no Galpão Crioulo. Sua importância vai muito além disso. Quantos artistas e talentos do nosso Estado estão hoje relembrando maravilhosos momentos vividos junto a este ícone da nossa cultura, muitos tendo sido inclusive revelados e incentivados por ele? São inúmeros os relatos – e fatos -  que concretizam e afirmam a imagem e o caráter de uma criatura carismática, talentosa e de memória inigualável, possuidor de um cabedal de conhecimentos sobre sua aldeia simplesmente incomensurável. Infelizmente, não teremos como nos apoderarmos disso. Pelo menos, não inteiramente. Porém, a obra e o feitos deste homem haverão de nos levar a um caminho onde possamos, no mínimo, absorver parte dos seus ensinamentos, o que certamente já é de extrema valia.
Antônio Augusto Fagundes parte mas deixa um legado a ser seguido, um rumo a ser perpetuado. Não há como obstar o que ele semeou em nossa cultura e que perpassa o que dizem suas maravilhosas e singulares poesias. Seus rastros na história e na cultura do Rio Grande são indeléveis e certamente serão seguidos por vários de nós, combatentes do exército cultural gaúcho.
Aquele que cultua e luta pelos costumes de sua terra e de sua gente, ao manter-se arraigado em sua cultura, certamente projeta-se ao futuro, sendo alguém além de seu tempo. São pessoas raras, incomuns, possuindo dons e uma fibra que a outras não foram dados. São líderes natos, abençoados com a capacidade de abrir picada para nossa gente, quando tudo mais parece nos cercar e convidar à mudanças aparentemente benéficas, mas que acabam por dizimar nossa estirpe e deturpar nossa descendência.
Tio Nico escreveu , no clássico “Origens”, algo muito próprio para este momento:
“Eu sei que não vou morrer
Por que de mim vai ficar:
O mundo que eu construí
O meu Rio Grande o meu lar!
Campeando as próprias origens
Qualquer guri vai achar”
           Somente ele para deixar uma mensagem até certo ponto confortante para este momento de lapso cultural que parece apropriar-se de nossa história. Em sua simbiose com nossa terra, a imagem do homem é praticamente a mesma do Sul. A distinção é meramente conceitual.
               Certamente, a partir de hoje, ergue-se uma lacuna na cultura rio-grandense. Contudo, também haverá muito a ser encontrado, estudado, aprendido, admirado e praticado. Qualquer guri vai achar... é só querer. Só depende de nós a continuação de um trabalho que foi realizado com muita dedicação ao longo de décadas. Somos guardiões desse patrimônio que nos foi deixado.
               O Rio Grande não terá outro Antônio Augusto Fagundes, assim como também não terá outro Jayme e tantos mais que já cumpriram sua etapa terrena, neste tempo... o golpe foi forte, mas o próprio Nico viveu sua vida a fim de preparar nossa gente para isso: absorver o que o dia a dia e o futuro nos reservam, mas seguir em frente, com as raízes bem fincadas no chão.
               Te agradecemos, mestre. Choramos, ficamos de luto, mas também estamos felizes por termos tido a oportunidade de conviver contigo e, de alguma forma, presenciar e saber de tua importância para a nossa cultura, nossa gente e nossas história. Haveremos de honrar-te e, por meio de toda a tua contribuição, perpetuaremos da melhor forma aquilo que bem nos ensinaste: ser Rio Grande no cerne e na essência, com autenticidade e simplicidade.
               Ainda que vires a cabeça para o Alegrete, queremos que saibas que todo o Sul te pertence, todo o Rio Grande é tua pátria.
               Gracias mil, um grande abraço nosso, fica com Deus, Tio Nico!!! Não abandonaremos a trincheira!!!





              

domingo, 7 de junho de 2015

DEUS E RELIGIÃO

Definitivamente Deus e religião não combinam...é duro - e polêmico - dizer isso, mas é verdade.
Alguém poderá dizer que não é bem assim, que estou extremamente equivocado. Mas tenho plena certeza - sem medo de castigo - que o Deus verdadeiro é tolerante, compreensivo, é do bem. Ainda que não compreenda muito - e nem concorde - com a maneira como Ele conduz determinadas situações, acredito piamente que o Deus verdadeiro não exclui negros, não humilha mulheres, não sacrifica animais e também ama os homossexuais, assim como respeita tudo que é feito de maneira fraterna e sem prejuízo aos demais seres (humanos ou não).
Ainda que possam existir teses advindas dos mais variados livros "sagrados" existentes nas mais variadas religiões, somente uma coisa é certa: quem os escreveu foi o Homem. Assim como quem criou a (s) religião (ões) também foi o Homem. Os dogmas, os conceitos, os princípios, os rituais e as regras foram escritas, reescritas e manipulados através dos séculos, conforme as necessidades de cada época. Qualquer criança hoje em dia sabe disso.
Deus não manda - e nunca mandou - matar alguém, seja pelo motivo que for. As religiões sim. A intolerância entre as crenças, as perseguições aos grupos contrários, a dizimação entre os (des) iguais, nada disso é coisa de Deus. É coisa da religião... portanto, coisa do Homem.
O controle social exercido pela religião, mais do que ultrapassado, tem se tornado nocivo. Ao meu ver deve ser substituído por muita educação, em todos os níveis. Deve ser substituído pela verdade plena, pela preparação para a vida como ela é. Somente assim é possível que alcancemos um nível de dignidade e respeito maior entre todos.
Precisamos avançar... a cegueira que nos impede de termos um mundo melhor, bancada por religiões e crenças é um grande problema sobre o qual ninguém quer falar de forma séria e responsável. Isso traz prejuízo eleitoral e financeiro.
Deus é amor e paz, no mais amplo sentido destas palavras. O restante são coisas elaboradas e inventadas pelo Homem.
Com certeza Deus não quer templos enormes ou um Vaticano coberto de ouro... nem animais sofrendo, ou guerras entre cristãos e muçulmanos.
Será que Deus realmente precisa de intermediários? Como um pecador igual a nós poderá nos livrar do inferno? E o inferno não é o que já vivemos, em nosso tempo, com nossas escolhas ou pela total falta de opção que às vezes nos é imposta?
Piorando esta realidade, me constrange o fato da promiscuidade existente entre a religião e políticos. Que na verdade, sempre houve. A religião sempre teve a sede do poder, seja ela qual for. A religião, de forma histórica, sempre quis ter servos, e não pessoas voltadas a Deus, tão somente.
Assim sendo, não há como dizer que religião não é tão podre quanto a política. Alguém consegue distinguir uma da outra? Não, porque tudo na vida é política. Um pouco mais, um pouco menos, mas sempre é. Religião se encaixa no "um pouco (muito) mais".
A confusão existente entre Deus e religião, tem atrasado o desenvolvimento da humanidade. E cada vez mais isso é verdade.
As isenções de tributos concedidas às Igrejas, por exemplo, com desculpas mais ou menos constitucionais, são uma ofensa aqueles que trabalham, que produzem, que são honestos e que batalham pelo pão de cada dia. Esse maniqueísmo, essa enrolação divinal, faz com que surja uma igreja em cada esquina, um culto em cada canto, uma "nova" crença a cada segundo. Enganação e picaretagem estão dando cada vez mais lucro. Como sempre, para poucos. E com o aval do Estado.
A humanidade se entrega a falsários, radicais extremistas, pedófilos, vaidosos e gente de caráter duvidoso, como se estas almas tão ou mais devedoras do que nós pudessem realmente ser um elo para uma imaginária salvação.
Contudo, no fim, com certeza saberemos que nunca foi entre nós e o padre, ou o pastor, ou o pai-de-santo, ou médium, ou rabino, ou o aiatolá ou seja lá quem for a "autoridade" religiosa...sempre foi - e sempre será - entre nós e Deus.
Simples assim.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O CÉU DOS ARTISTAS



O artista, de um modo geral e de uma forma praticamente imposta – e quase cotidiana – está sempre mais à mercê do destino, da “sorte”, do acaso...
Talvez, por ter o privilégio de possuir algum dom em especial, me parece que também está mais na “mão” de Deus, sendo mais dependente dos cuidados divinos. Uma espécie de compensação? Não sei...
O artista não se governa muito... como dizem, vai onde o povo está.
Sua vida é a arte, almejada e realizada nos rumos das estradas infindas, trilhadas na perseverança e na abnegação. Alimentada pelo sonho e pela vocação. Encontrada e compartilhada em cada confim de rincão, tendo por objetivo maior a paz, a harmonia e a felicidade, sua e dos seus iguais. Realizada única e exclusivamente por meio de seu talento!
Grande parte destes irmãos faz sua passagem para outras instâncias de uma forma aparentemente normal. Nos deixam por questões inerentes a soma dos anos, devido às intempéries do tempo, ou contratempos não tão inesperados. Entretanto, sempre nos reservam a dor, os questionamentos, o coração apertado, o luto compulsório. A morte sempre é um evento traumático, independentemente das circunstâncias.
A alguns é dado o benefício da lembrança, do reconhecimento, da dignidade a sua memória. A outros, nem tanto. Contudo, para o bem ou para o mal, estas questões podem ser consideradas até certo ponto como naturais, acontecendo dentro de uma certa normalidade ou previsibilidade.
Mas nem sempre ocorre assim.
Ao cumprir tão nobre missão, muitas vezes o artista tem seu futuro decidido numa curva sinuosa, numa pista molhada, num dia de sol com olhar de preguiça... numa noite enluarada com cismas de sono, num amanhecer imponente, que fustiga os olhos... ou num animal que circula, na interferência do seu habitat... até mesmo numa chamada ingênua ao telefone, que culmina em um tom decisivo... ou no hábito de um descuido que não foi tão trivial.
E aí, tudo acaba neste tempo. Tudo finda neste plano. Para o artista e paras os seus.
Silencia o instrumento, permanece em branco a folha, cala-se a voz.  Parte a matéria...
E ainda que saibamos que se trata tão somente de matéria, a dor e o vazio, a partir deste momento, são presenças constantes.   O tempo ameniza, mas jamais supera a ausência.
Fica a história, permanecem a obra e o legado, faz-se perene a saudade!
Ainda não sei se Deus cochila intencionalmente nestas horas ou se ele também é vítima disso tudo...
Mas afinal, o universo conspira a favor de quem?
Por vezes, o céu dos artistas é exigente demais. Faz questão de ter os buenos consigo. Não se programa, não dá aviso, não é flexível. É difícil perdoá-lo.

terça-feira, 26 de maio de 2015

CASAS VELHAS

Letra: Marcelo D'Ávila
Melodia: Caine Teixeira Garcia
Interpretação: Jean Kirchoff




quarta-feira, 13 de maio de 2015

FELICIDADES DE SOIS E VENTOS

Por razões de disciplina e em respeito ao ambiente de trabalho e demais pessoas que nele encontram-se envolvidas, há muitos anos aboli o hábito do mate durante minhas atividades de serviço. Assim, acabo por não carregar mais meus apetrechos para amarguear, salvo quando estou de folga.

E que falta me fez o mate hoje... que dia lindo...
Sozinho, no intervalo da lida, agradeci a Deus pelo sol maravilhoso que me aqueceu o corpo e a alma. Pude contemplar um joão-de-barro, com seu canto estridente, também agradecendo a natureza, por mais um dia maravilhoso.  Pertinho, bem do meu lado, aquele obreiro estufava o peito e mostrava toda a sua galhardia.
Aproveitei a parceria da natureza para mergulhar em alguns momentos de reflexões, os quais tenho considerado cada vez mais importantes. É nestas horas que me sinto mais próximo Dele... cruzando meus silêncios e sozinho com minhas incertezas, indagações e memórias. Nestes momentos, sou mais de mim.
Percebi perfeitamente o tempo passar... sem desespero, sem angústias. Me senti mais vivo e mais feliz, com o vento embalando o outono nas folhas dos plátanos, já cobertos de um áureo magnífico.
Felicidades de sois e ventos.
Quando nos apartamos momentaneamente de nossos iguais e da correria na qual acabamos envolvidos em nossa rotina diária, temos mais tempo de valorizar cada movimento, cada respiração, cada sutileza. Dá até mesmo para escutar o bater do nosso coração. Os pensamentos são quase materializados, de tão claros e lúcidos que se tornam. Revigoramos a energia para correr atrás de nossos sonhos, para pormos em dia algumas coisas que necessitam de nossa atenção mais cuidadosa. Extirpamos um pouco de nossos medos e a coragem ganha ânimo redobrado... pelo menos comigo, isso acontece. 
Alguns momentos de paz, observando o que nos cerca, nos dá uma real dimensão do milagre que é estarmos vivos.  Ter a chance de tentar fazer de uma forma diferente aquilo que não tem dado muito certo, ou valorizar de verdade aquilo que consideramos importante, é realmente uma dádiva.
A oportunidade que nos é concedida para acordarmos para mais um dia de batalhas, com derrotas e vitórias, com agruras e bênçãos, é mais ou menos como o milagre das folhas dos plátanos, que se renovam no ciclo eterno das estações.
Os mais pessimistas consideram apenas que viver é morrer um pouco a cada dia... fisicamente, até pode ser. Do ponto de vista espiritual, acredito que esta maneira de pensar é um tanto quanto equivocada.
Creio que existe algo mais, algo maior. Acredito que a cada dia que passa, avançamos mais e mais na senda de nossa história, escrevendo nossa trajetória no Universo! Isso não tem nada a ver com morrer... ao contrário. Entendo que nossa evolução depende disto. Simples assim. E complexo também.
Nestes momentos introspectivos, sempre penso nos meus, naqueles pelos quais vivo... e me sinto feliz por ter alguns instantes de solidão física, nos quais me complemento e cresço espiritualmente, numa quase oração informal, e me sentido realmente parte das obras do Criador.
Felicidades de sois e ventos.
Poderia ter aproveitado ainda mais... que falta me fez um mate hoje...

              


terça-feira, 5 de maio de 2015

MAIS UM INVERNO



Em breve estarei agregando mais um inverno à minha existência terrena. Escrevo terrena, mas sem qualquer tipo de convicção que me leve a crer que existam realmente outras paragens. Estas questões permanecem como um grande mistério, diante da capacidade de percepção e entendimento que hoje possuo. Mas me sinto abençoado por ter chegado até aqui, até este momento atual. Gracias meu Deus.
***
Não tenho tido muito tempo para me dedicar a este espaço, mas eu já previa que isto aconteceria, mais cedo ou  mais tarde. Não que careça de grandes inspirações, mas em respeito aos que eventualmente visitam este blog, é preciso que eu tenha um mínimo de vontade para deixar algum tipo de registro por aqui, senão, a escrita é em vão e indevida. Faz parte. Por isso, perdoem este "blogueiro", esta não é minha melhor faceta. Mas vamos indo, topando o desafio. O que tem ocupado minha mente com grande frequência são os assuntos políticos, e não quero ficar falando sobre isso de forma constante.Quero uma comunicação consciente, mas também leve.Política é importante, mas todo o resto também.
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Andei debatendo sobre os festivais no facebook. Confesso que os resultados não são muito agradáveis. A má vontade (ou má-fé) de alguns que fazem parte do meio, acabam tornando as discussões improdutivas, parciais e ridículas. É inacreditável que os festivais não possam (e não devam) ser encarados como um forte movimento cultural em nosso Estado.  E mais inacreditável ainda é a omissão por parte dos órgãos destinados a cuidar de nossa cultura, quanto ao que deve ser feito neste meio. Em pleno século XXI, o Estado patrocina vários eventos sem transparência, com atitudes totalitárias e indecentes. E temos pessoas do meio que defendem regras que estão muito longe de serem democráticas. Afinal, quem ganha com a repetição de erros, com a somatória de absurdos? O que se faz hoje em alguns festivais é realmente música campeira? E o que é música campeira? Quem estabeleceu as verdades sobre este assunto? Porque a resistência nas mudanças que não mudam o cerne do evento, mas sim sua transparência e decência? Isso é assunto para vários debates ainda. Contudo, já estou um tanto quanto de saco cheio. Em outro momento, talvez fale mais sobre isso.
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Um pouquinho de política: fiquei assombrado com a coluna que li, da Rosane de Oliveira. Manifestando uma opinião que para mim é de uma infelicidade suprema, esta Sra. defendeu a extinção da UERGS que, segundo ela, tem um custo de mais ou menos 90 milhões. Que barbaridade! Isso soluciona os problemas de décadas de nosso Estado? Isso é uma proposta aceitável? Mas a que ponto chegamos? Além de infeliz, uma opinião covarde, simplista e retrógrada! Ao invés de atacar criação e manutenção de cargos, secretarias e assessorias inúteis, busca-se acabar com uma instituição educacional e denegrir servidores concursados, tratando o assunto de uma forma irresponsável e superficial. A nobre jornalista e opinadora parece esquecer os pagamentos feitos pelo Estado para a RBS!!! Santa hipocrisia Batman...
Também não entendo os recalques que vejo contra funcionários públicos, nas manifestações nas redes sociais. Parece mais um desabafo de quem não consegue manter uma disciplina de estudo e de metas, mas enfim... talvez o foco das reclamações estejam sendo deturpados em meio a tantas sujeiras que brotam todos os dias nos palácios da governabilidade.
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Quanto ao Grenal, acho que não resta muito a dizer... ganhou o que tem o melhor elenco, o que investiu mais – e também melhor. O Grêmio atravessa uma fase difícil mesmo. Está fazendo um trabalho importante de contenção de despesas. Mas acho que deve pensar em manter um pouco mais de equilíbrio. Futebol não se faz somente com extracampo. É preciso produzir vitória, títulos. Uma gestão eficiente não pode perder de vista o fato de que a torcida necessita de um time competitivo e que dê retorno em campo. Isso é primordial. O Grêmio – e muitos torcedores têm culpa nisso – tem apostado demais em estrangeiros, na tal “alma castelhana”... e os frutos destas aposta são ZERO. Nenhum grande jogador, somente grandes salários e belas encrencas. Respeito o Felipão, mas ele é por demais ultrapassado. E cito dois exemplos fundamentais, que nos custaram o título do gauchão: preferiu jogar com Felipe Bastos, deixando Wallace no banco. Pelo pouco que entendo de futebol, Wallace é só umas 136 vezes melhor. Deu no que deu. O outro exemplo dá-se no arquivamento do jovem Lincoln... alguém consegue explicar? Pois é... nem eu. Lamento até hoje que Homero Bellini Jr. não tenha sido eleito presidente do tricolor. O Grêmio precisa respirar novos ares, e estes ares existem em seus próprios pulmões.
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Meu livro de poesias (Travessia) já está na Gráfica, em fase de editoração e ajustes. Já temos uma ideia de capa, de “miolo” e tudo mais... falta mesmo somente a correção de alguns pequenos itens e, em breve, já estará circulando por aí.  Por incrível que pareça, não estou ansioso ou coisa do tipo. Gosto da ideia de estar conseguindo concretizar algo deste porte. Hoje, me parece bastante importante, talvez amanhã já não seja. Espero que seja um trabalho bem recebido, aceito pelos amigos e leitores. Só isso, nada mais.
Em breve, mais um inverno à tarca dos anos.
Quem sabe, mais alguns livros... espero que mais amizades, mais tempo com a família, mais música e poesia, mais trabalho, mais simplicidade e cada vez mais, paz de espírito.  Sempre com muita saúde, para todos nós.
Grande abraço! Deixo uma imagem de regalo!

segunda-feira, 13 de abril de 2015

REFLEXÃO POLÍTICA

Atualmente temos oposição no Brasil, mas infelizmente não temos ação.
Falta a liderança. Aquela definitiva, que vai à frente, mostra a cara e pauta os rumos... Aécio Neves parece estar paralisado, perdendo o trem da história para péssimos conselheiros... praticando uma teoria enfadonha e até mesmo repugnante. Um homem de fibra tem que fazer mais do que discursos de quintal. Marina Silva nunca será opção, uma vez que tem ideias tão instáveis quanto sua capacidade de articulação política. É triste ver um povo inteiro sedento de melhorias e justiça - na maioria das vezes, de coisas tão óbvias - tão órfão quanto está agora. Não há luz na democracia longe da política. Não há política que sirva melhor ao povo do que aquela que institua a real democracia.
E democracia não é sinônimo de inércia. Longe disso.
Líderes bisonhos, de "15 minutos de fama", estão esvaziando os desejos de mudança e implantando a desesperança no país. Parece até algo arquitetado "maquiavelicamente" para acabar com nosso "ímpeto guerreiro". A maioria dos políticos na forma que os conhecemos hoje, não dá a mínima para o que pensamos. Existe um grande jogo de cena, que nem é tão sutil assim. Nosso "representantes" escolhem um bode expiatório a cada semana e desviam as atenções do foco... e vamos marchando, qual gado para o matadouro. Lembramos da Dilma a cada momento, mas esquecemos do Renan, do Cunha, do Temer, do Levandowsky... do Lula!
Lembramos do PT, mas esquecemos do PMDB, que talvez seja o grande culpado por tudo de ruim que estamos vivendo nos tempos atuais. É inequívoco que existe um aparelhamento total e irrestrito. 
Esquecemos das urnas, embora a cada resultado elas pareçam gritar ainda mais: "tem fraudeee"! E isso já não está mais confinado nos potreiros do Brasil... a grita é geral! Mas somos cegos, surdos e mudos para isso... alguém jogou um feitiço muito forte em nossa capacidade de discernimento e percepção. Não vemos a realidade como ela é. Driblamos a verdade com gosto, sem olhar prá trás.
Quem não sabe para onde quer ir, vai ao sabor do vento... e o vento que sopra é o do engodo, da corrupção, da enganação e do "vamos permanecer no poder, custe o que custar"!
Estamos marchando contra o poder, mas estamos longe de assustá-lo... o poder não se intimida, ele é frio e calculista. Segue aumentando a tarifa da luz, a conta da água, a cesta básica... e nós pagamos e aceitamos, numa total incapacidade de sequer "espernear" junto ao MP, por exemplo. Mesmo que o MP NÃO FAÇA NADA, não deveríamos dar mais trabalho a ele? Quem sabe uma boa chacoalhada não fosse o suficiente para acordar este "defensor"?
Mas, com certeza, é possível contar nos dedos (do Lula) alguém que já tomou uma iniciativa verdadeira contra tudo que está acontecendo. 
As ruas querem mudanças, mas os que marcham por ela ainda não definiram seus rumos... e isso é assustador!
Às vezes penso que uma boa jogada de marketing pode mudar tudo... e a favor de quem não quer mudar (se)! Nosso direito de voto tem sido nosso castigo. Mas até isso é democrático. Só o poder não é.
(Imagem Google-autor desconhecido)


sexta-feira, 3 de abril de 2015

REFLEXÃO PASCAL


Só a sexta-feira é santa,
Os outros dias não são?
Jesus morreu para parir luz...
Por que persiste a escuridão?
Será que existem ironias
Na tal da ressuscitação?
Se todos somos filhos Dele
Por que há uns é negado o pão?
Ser Sua imagem e semelhança
É uma desvantagem, ou não?
Tudo parece estar na Bíblia
Mas por onde anda a razão?
Ou será que o Onipresente é “sádico”
Prá ver irmão matar irmão?
Ou tudo enfim, se justifica
Pelo que prega o Alcorão?
Será que a culpa só reside
Nos erros de interpretação?
E quando a fé já não funciona
De quem será a culpa, então?
E será que sofrerei castigos
Por esta dura reflexão?
Será correto, o livre-arbítrio
Servir só para a punição?
Há justiça para o enfermo
Não ter retorno na oração?
Por que os apelos pela vida
Se perdem na imensidão?
E o que dizer de quem se doa
E é renegado à solidão?
Será que tudo acaba mesmo
A sete palmos deste chão?
Se for assim, quanto de nós
Terão uma real motivação?
Tu me perdoa, meu Senhor
Por fazer tanta indagação?
Será que o medo da pergunta
Habita o fel da afirmação?
Torna mais doce a nossa estrada
Não se chegar à conclusão?
Os que nunca alcançam sonhos
De que lhes vale o coração?
Até a cruz valer seu peso
Quantas mães lamentarão?
Sou pecador, não creio em arca
Há como partir em inundação?
Aliás, meu Pai, porque crianças
Alimentam a voraz inanição?
Por que a seca bebe esperanças
E imprime fome à multidão?
Onde se encontra a misericórdia
Aos que se alimentam num lixão?
Se as drogas são tão nefastas
Por que permitir essa ilusão?
Será que um filho, merece o fardo
De ser senhor da salvação?
Por que desvios são campo aberto
E tão misteriosa é a orientação?
Pois então, agora é Páscoa
Mas qual é mesmo a missão?
Ah, meu Deus, desculpe a pena
Eu vou rezar, dê permissão!


Imagem da internet, autor desconhecido.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

1/4 DE 2015

A correria tem sido grande... o projeto do livro, mais as tarefas cotidianas (e algum envolvimento na política) têm me tomado bastante tempo.
Mas é assim mesmo que tem que ser... "cabeça vazia, é oficina do capeta", como diziam os mais antigos.
É estranho, há uns dois anos atrás eu sequer imaginaria a possibilidade da publicar um livro. E de poesias, ainda, cuja dose de alma do autor sempre há de levar consigo.
Contudo, acho que não paro por aí. Tenho muitas ideias. Aliás, elas são tantas, que está sendo difícil organizá-las de uma forma mais racional, mais objetiva. Sempre tive esse problema, ideias em demasia. Ocorre que, no fim, muitas vezes acabo por não colocar nenhuma em prática. Mas ainda acho melhor tê-las. Conviver com uma mente árida não deve ser tarefa fácil.
Espero que o livro tenha boa aceitação. Isso certamente deverá nortear outros projetos que estão na pauta do futuro.

***

Sou a favor da redução da maioridade penal. Mas sou contra o que o sistema prisional tem feito com seres humanos, ainda que criminosos. Não é possível que tenhamos recuperação de pessoas ou reinclusão social por meio do sistema prisional/penal que o Brasil tem hoje em dia. Isso é mais do que condenar, é torturar, humilhar, denegrir as pessoas. Encarcerar pessoas em presídios que não apresentam a menor condição de abrigá-las, é simplesmente lavar as mãos. O Estado está buscando uma vingança social, sem importar-se com o futuro do País e dos cidadãos. Renegar um ser humano ao esquecimento, no inferno das escolas do crime não é racional, não é justo, não é correto.
Para que tenhamos a redução da maioridade penal, devemos primar por debates sérios, apartados do populismo barato, das questões eleitoreiras, da "média" que o Congresso está tentando fazer com a sociedade, a fim de melhorar uma imagem que talvez não tenha salvação.
Tratar um assunto complexo como esse de uma forma tão leviana é bem mais do que irresponsabilidade. É um crime também.

***

Quem tiver a fórmula para lidar com filhos adolescentes, favor me repassar, a coisa não é changa. 
A sensação de que se erra mais do que se acerta, é sombra sempre presente. Não há como escapar de um julgamento de consciência, onde não sabemos quem é juiz, réu, defesa, acusação ou, ainda, mera testemunha.
Algumas coisas poderiam ser mais fáceis. Nem tudo que é difícil, torna a conquista mais válida ou saborosa.

***

O mês de abril abriu suas porteiras, e já vamos fechando 1/4 do ano de 2015. O tempo passa depressa, e não tem muito dó de nada e nem de ninguém. Não podemos ficar estáticos. Ele nos requer sabedoria, no exige urgência, mas sem que tenhamos aquela pressa inconsequente, tão característica dos tempos modernos.
Precisamos ser atuais, mas sem queimar etapas. Não podemos esquecer de tudo o que aprendemos durante a nossa jornada. Devemos cultivar a arte de observar e aprender, observar e aprender. E isso não é fácil.
Aquilo que a boca expulsa rápido demais, nem sempre corresponde ao que a alma pretendia dizer... ou ao que ela efetivamente sente.
Às vezes - só as vezes - eu coloco fé na força do silêncio (meio que parafraseando o Gessinger). Só não abuso mais dele, porque também tenho medo. Ainda não descobri a medida correta entre falar e calar... via de regra, eu erro - ou exagero - na dose.
Mas quem nunca, não é mesmo? 
Vamos encaminhando nossas tropas de sonhos, cuidando prá não deixar nada extraviado... que Deus cuide para que elas cheguem bem ao seu destino, com mais ganhos do que perdas.