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terça-feira, 4 de novembro de 2014

UM NACO DE POESIA

Cumprir um destino é certo
- mas é tão incerta a jornada...
Se a vida repreende os sonhos
O que então, se estende aos olhos
- de quem desafia a solidão
Não dá pasto ao coração
Por ser chão, poeira e... mais nada....


   



segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O POVO QUER MUDANÇA DE VERDADE

A ampla maioria da mídia, com exceção da VEJA, tem tentado desacreditar os movimentos e as manifestações que estão ocorrendo em todo o país, contra as possíveis fraudes ocorridas nestas eleições e contra a manutenção do projeto de poder do Partido dos Trabalhadores. E aqui me permito fazer uma crítica, não ao PT, mas ao PSDB, que tem sido DECEPCIONANTE enquanto investido de real oposição, nas questões a que ora me refiro.Enquanto Aécio Neves Aécio Brasil mostrou muita dignidade e combatividade durante todo o pleito, lutando inclusive contra o fogo amigo em suas bases, o seu partido agora faz um papelão, se dobrando, se "acadelando" ao TSE e à uma justiça que hoje, encontra-se praticamente toda ela aparelhada pelo PT. A reivindicação é legítima, muito mais da metade das pessoas OFICIALMENTE não votaram em Dilma e as redes sociais estão inundadas de provas cabíveis para anulação - ou no mínimo recontagem de votos - destas eleições. Me impressiona o fato das pessoas acharem que estamos numa democracia muito boa, enquanto não procuram, sequer, informações sobre o famigerado FORO DE SÃO PAULO e as ligações escusas de nosso País com regimes totalmente ditadores, comunistas e indesejáveis, como Cuba, Venezuela, etc. Agora estão dizendo que o Brasil não é a Venezuela, que devemos confiar nas instituições. Este é mais um argumento utilizado para inverter a situação. Logicamente, o Brasil não é a Venezuela: ainda!!! Mas está fazendo força para alcançar o mesmo patamar deste país, e o povo tem ajudado bastante.Democracia não combina com conformismo... o fato de podermos realizar manifestações não ratifica um sentimento democrático. Ao contrário, pode ser a primeira demonstração de que algo realmente não vai bem. Ignorar e desfazer disso só pode vir de três tipos de fontes: dos acomodados, dos alienados e dos que se beneficiam disso. As contradições são muitas durante todo esse processo. As pessoas engoliram bilhões de reais em desvios, desmandos, bilhões em obras inacabadas... aguentaram aparelhamento e uso de estatais na campanha da situação, além de discursos de segregação e ameaças, mas ficaram bravas quando souberam de um aeroporto sobre o qual a justiça até o momento não comprovou ilegalidades,ou quando um candidato reagiu legitimamente contra a "Presidenta", que durante toda a eleição usou mão de uma campanha vexatória, impregnada de mentiras e quebrando regras de todas as formas. Ele foi deselegante com ela ao chamá-la de leviana (a maioria nem entendeu o que ele quis dizer), mas o PT "patrolou" a Marina Silva e ficou por isso mesmo. As pessoas acham certo adotarmos as urnas eletrônicas (COMPROVADAMENTE FALHAS), enquanto os grandes países e economias mundiais as rejeitam. Talvez, porque o Brasil não seja um dos países mais corruptos do mundo. Convenhamos: quem apoiou esse tipo de coisa e não se insurgiu, não tem muita moral para achar que os outros tem que "respeitar a Democracia". Em suas cabeças, deve imperar o pensamento do Millôr: "Democracia é quando EU mando em você, ditadura é quando VOCÊ manda em mim". Assim é fácil. Abafar a opinião dos outros sem discussão. A situação tem criticado veementemente a VEJA (desde sempre), por entender que ela somente bate no seu partido. Contudo, esquecem de citar que Estadão e Exame, por exemplo, são mídias totalmente favoráveis ao Governo, vez que repercutem de forma diminutiva e totalmente tendenciosa TODA e QUALQUER notícia que desfavoreça o PT e seus aliados.
Mas parece que muitos não enxergam isso tudo. Aldous Huxley tem uma frase que me parece apropriada para este momento: “A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão". Que triste isso.
As pessoas enganam-se a tal ponto de achar que o que estão fazendo é correto, apostando em um governo mentiroso, que em CINCO DIAS simplesmente, sem a menor cerimônia, tratou de fazer tudo aquilo que jurou de pés juntos que não faria. E isto não é mentira minha, está nos noticiários.
Esse mundo só pode estar do avesso mesmo. Os que pregam democracia e oportunidades, não fazem a lição de casa. Estão avalizando a segregação no país, a imposição das minorias, a corrupção total e o vale-tudo, sem qualquer chance de oxigenação. Estão plantando algo que, provavelmente, terá reflexos perversos para seus legados sanguíneos.
O PSDB parece um partido amedrontado, com medo das represálias. Que pena, pois tem um grande líder e um povo inteiro sedento de mudanças, embora muitos tenham acreditado que essas mudanças viriam de "mais do mesmo".
No meu ver, ainda acredito que elas virão. Mas não pelas mãos de um partido que não nos represente, mas pela coragem e audácia de alguém que tenha entendido estes sentimentos que hoje pulsam - e não calam - em todo o Brasil.
Eu sou Caine, e meu partido é a MUDANÇA, ainda que ela demore, ainda que seja falha, ainda que precisemos exercitar a paciência e sofrer um pouco mais.
E tenho certeza que muitos também pensam isso. Não somos mais os mesmos eleitores, somos mais aguerridos e muitos estão buscando o esclarecimento e fazendo valer suas opiniões e seu espírito democrático.
Me resta uma certeza: o começo da mudança, é tirar o PT do governo.
Difícil, mas simples assim.
Senadores Alvaro Dias e José Serra, com discursos bonitos, não se faz novos caminhos, sem combatividade, não alcançamos novos horizontes. Tenham mais fibra e honrem os votos recebidos, assim como também deve fazer o Geraldo Alckmin...
Façam valer suas calças e seus cargos, dados pelo povo.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

OPINIÃO OU CUBA



Terminado o pleito de 2014, não tenho dúvidas: esta eleição foi acachapante!!! Não pelo resultado em si, mas pela forma como ocorreu.
Os brasileiros deram mais uma oportunidade de governar a um partido quem mantém o poder em suas mãos há doze anos, de forma ininterrupta. Isso até dá rima...
Cidadania e democracia também rimam, mas atualmente só com utopia, talvez na poesia... que certamente, por sua vez, rimará com melancolia, apatia, etc, etc...
Ainda que nossa democracia seja considerada “jovem” pelos especialistas, entendo que ela goza de um privilégio que outras mais antigas e plenamente consolidadas, não tiveram: o quase que total acesso a informação, em tempo real e com diversas fontes para análise e saneamento de dúvidas, além de uma interação quase que instantânea entre as pessoas. Além disso, em épocas eleitorais, todo e qualquer candidato e governo são minuciosamente examinados, analisados, investigados e, se for o caso, trucidados em “praça pública”.
Portanto, com relação à parte da população que possui – ou poderia possuir - este arsenal de informações, me parece incabível argumentações do tipo “eu não sabia”, “eu não entendo”, “é tudo mentira” (sempre) e coisas do gênero.
A impressão, ou melhor, a certeza que eu tenho, é de que a população brasileira ainda não compreendeu a importância da cidadania e vive uma democracia torta, que ela mesma cultiva com ares de intelectualidade. O fato de 37 milhões de brasileiros não terem dado sua contribuição nas urnas, parece fortalecer este meu entendimento.
Sou totalmente contra a implementação do voto facultativo, por motivos cada vez mais óbvios. Se o povo ainda não compreendeu a importância da política e as consequências de suas escolhas, certamente não está apto a exercer o voto facultativo. Nesta tal democracia “jovem”, a maioria dos eleitores são como um “menor”, cuja capacidade ainda não foi alcançada ou, então, não é plena.
Caso o voto fosse facultativo, o Brasil teria uma farra total (se já não tem) durante o dia da votação, com “Coronéis” e “senhores feudais” impondo totalmente o voto pelo uso da força, da coação, na troca pelo pão... e com um contraveneno totalmente enfraquecido, bem como a “balança” democrática.
Portanto, se é ruim com o voto obrigatório, bem pior sem ele.
Tendo em vista o resultado das eleições para Presidente, me vem à cabeça um pensamento de Eça de Queiróz, que dizia que “políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo”... se não me engano, é mais ou menos isso. E é uma grande verdade. Independentemente de partidos e ideologias, sou favorável à oxigenação na política, no poder... a alternância nos governos faz bem à democracia e à sociedade como um todo. É extremamente salutar a adoção de novos pontos de vista, de novas maneiras de pensar e agir. É preciso “sangue nos olhos” para realizar grandes mudanças e fazer um país avançar. E a perpetuação no poder vai em sentido contrário a tudo isso. Depois de doze anos com um mesmo partido governando, me parece que isso é mais do que claro.
O poder corrompe e enfeitiça. Cria a acomodação para o trabalho que deve ser feito e a proatividade em relação a tudo o que não deve ser feito.
A longevidade no exercício de comando de um mesmo partido ou grupo ideológico, via de regra, resulta em desmandos. É o “sonho de consumo” dos governantes, que acabam por ter um tempo precioso para estender suas garras em todas as ramificações e segmentos de nossa sociedade, tornando-se praticamente imbatíveis. E isso é o avesso de uma sonhada democracia e do que se pensa em termos de políticas sociais justas e adequadas.
Um governo com muito poder, com base aliada forte no Congresso Nacional, é um perigo. Sabendo gerenciar conflitos, é capaz de aprovar quase tudo, ainda que isto não represente ou, seque se assemelhe, ao desejo do povo.
Ainda ontem foi para aprovação na Câmara dos Deputados um projeto que susta o famigerado Decreto “bolivariano” 8.243, de autoria do Executivo. Não fossem as mágoas recentes da própria base aliada com relação ao Governo, onde parlamentares derrotados nas eleições estaduais resolveram dar o troco pela falta de apoio recebida em suas candidaturas, este projeto não teria sido aprovado. Assim, teríamos uma aberração perigosíssima afrontando o exercício de nossos direitos de cidadão.
Como sempre digo, política é bem mais do que se pode ver ou enxergar na superfície. E este é só um exemplo.
Outro momento perigoso e pelo qual, possivelmente iremos passar (salvo um impeachment), tem a ver com o Judiciário. Até o final de 2018, o partido que está no poder terá nomeado 10 dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda que digam que não, isso põe nossa justiça de joelhos com relação ao poder Executivo que, por sua vez, se abastecerá ainda mais de sentimentos impróprios ao bem da Nação e que terá materializado o seu sentimento crescente de impunidade.
Não podemos esquecer que o atual Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é Dias Toffoli, que já foi advogado particular de “estrelas” petistas e do próprio partido. Este é um exemplo inequívoco da total falta de bom senso de um governante, que acha que pode fazer o que quiser, da maneira que quiser e quando bem entender. Lembremos que nem tudo que é legal veste-se de moralidade. A nomeação sem escrúpulos para cargos públicos, sem critérios que não sejam político-partidários, em benefício próprio ou de um grupo específico, vai contra todos os princípios morais e éticos, ferindo profundamente o interesse público e a sociedade como um todo. Isso ganha proporções gigantescas durante governos com longos períodos sem alternância.
É exatamente disso que estou falando. Saber as consequências de nossas escolhas políticas. Ou, pelo menos, daquelas que têm maior repercussão em nossas vidas, ainda que num momento futuro. Estas que citei, por exemplo, tem enormes repercussões. E que podem ser devastadoras, do ponto de vista do equilíbrio social e da segurança jurídica.
Um governo poderoso pode “rasgar” sua Constituição e enfraquecer as leis que não lhes interessa.
Dificilmente um governante resiste ao desejo de ser tirano. Imagine então, que ele tenha todo o tempo do mundo para realizar esse desejo. A carne é fraca, a mente é insana, o poder é sedutor.
Será que hoje em dia é pedir demais que pessoas esclarecidas entendam isso? Acho que não.
E o nosso povo? E os brasileiros?
Bom, os brasileiros parecem ter parâmetros e juízos de valores completamente sem sentido. Utilizam estas ferramentas da forma como lhes convém, sempre, isso lhes é habitual.
A reeleição concedida ao PT mostra que a maioria dos brasileiros entende que aquela máxima do “rouba, mas faz” é verdadeira e aplicável. E, convenhamos, neste caso, nem precisaram fazer muito.
Ouvi muita gente culta, muito “intelectual”, defendendo o indefensável. Nem vou falar aqui dos que foram levados às urnas “de a cabresto”, pela compra oficializada de votos, porque estes são, ao meu ver,  os que menos têm culpa.
Muitos arrotaram discursos que pregam uma sociedade justa, mas com argumentos de benefício próprio. É assim. Não conseguem enxergar um palmo adiante dos olhos – ou do próprio umbigo.
Não adiantou a Polícia Federal gritar. Não adiantou o MP agir. Não adiantou o STF condenar. Não adiantaram novas e verdadeiras denúncias de incansáveis e repetidos escândalos de rios (não, rios não: mares!) de recursos e verbas públicas. Eles só viram denúncias na Veja. E Veja “não vale”. Vejam só...
Cada um interpretou como quis. Alheios às evidências, a grande maioria fechou os olhos e os ouvidos e cerrou os lábios. Tudo para defender o seu ponto de vista, o seu ganho, o seu idealismo, o seu benefício e, até mesmo, a sua idiotia.
E mais: vociferaram – e ainda o fazem – contra quem “ousou” não seguir a onda do “País das Maravilhas”. Sabe, aquele País lindo, da propaganda do PT?
Foram ignoradas centenas de milhares de obras inacabadas, juntamente com o total descaso com a saúde, a segurança e a educação no País.
Elegemos como nossos líderes, pessoas quem têm bandidos como ídolos, condenados com sentença transitada em julgado. E que também estão envoltas por um lamaçal profundo e horrendo de podridão e desonestidade, para não dizer coisas piores.
Valeu difamar, mentir, apelar para o sentimentalismo barato, quebrar todas as regras. Vale tudo pelo “Príncipe”... ou “Princesa”.
Ninguém deu bola quando Presidente e ex-Presidente subiram em palanques pregando separatismos, fazendo apologia ao ódio entre as classes, diferenciando “ricos” de pobres... no conceito deles, inclusive, eu também sou rico. Só não sei onde coloquei meu dinheiro.
Ao contrário disso, seus fiéis eleitores dizem que foi a oposição que fomentou o preconceito, o ódio e todas as demais coisas ruins que ocorreram durante a campanha.
Não tendo mais motivos, até um sorriso irônico do adversário tornou-se mais gravoso que a corrupção e a “latrina política” sobre a qual tivemos conhecimento.
São muitos democratas de fachada. O Foro de São Paulo não é nada. O importante é que o Porto de Cuba é lindo e a transposição do São Francisco é um sonho. E o aeroporto de Cláudio é demais, não dá... explicar Pasadena até vai,  explicar o financiamento da campanha do PT é plausível... mas esse aeroporto, sobre o qual não existem processos ou não foi provado nada, não... esse não dá para engolir. E o Aécio é muito burguês, afinal, quem não viu a mulher dele? Aquela beleza é uma afronta aos pobres, às pessoas de bem.
Fala sério, meu Brasil.
Tenho por esperança que estas urnas tenham sido fraudadas mesmo, pois motivos e denúncias levam a crer que sim. Pensar nisso, até certo ponto me conforta, pois diminui minha descrença. Não com o processo, mas com a população.
Dizem que bom cabrito não berra. Não sou cabrito, mas me acho bom. E berro.
Como disse certa vez, George Sand, “ a opinião política de um homem, é o próprio homem”. Isso tem muito de verdade. Assim como entendo que um Governo, em grande parte, senão na sua totalidade, é um reflexo de seu povo. Dizendo isso, não é preciso dizer muito mais sobre os resultados desta eleição presidencial.
Muitos têm tentado abafar minha indignação e desconformidade com este resultado, exaltando a ideia de respeito a opinião dos outros, ao direitos dos outros, a liberdade dos outros. Mas e os meus direitos? E a minha opinião? E a minha liberdade?
A história do “ame-o ou deixe-o” é algo inaceitável.
Pois afirmo: hei de exercer minha liberdade, hei de lutar por meus direitos, hei de dar minha opinião!
Pelo menos, enquanto o PT não acabar com tudo isso... se isso acontecer, talvez eu me mude para Cuba. E quem sabe eu fique, caso já não existam diferenças...



segunda-feira, 13 de outubro de 2014

DE UMA CERTA FELICIDADE

Enquanto os dias me consomem, mais e mais eu me aproximo de minhas realidades, experimentando uma sensação maior de verdadeira liberdade. Uma liberdade que se revela cada vez mais incomum, mas que já não me surpreende.
Essa liberdade de que falo, nem sempre é bem captada ou percebida pela grande maioria. Talvez nem mesmo pelos grandes poetas, que a este sentimento, não raro, dedicam páginas infindas de seus maravilhosos e bem escritos textos. Por abusarem nas metáforas e chavões, salta ao olhos a quase que total ausência de prática.
Essa liberdade de que falo, está presente nos testemunhos do dia a dia, na expressão e nas atitudes de pessoas que conhecemos e acompanhamos e que, agora, por vivê-la, também consigo identificar em outras pessoas.
Neste sentido, a experiência e a maturidade se fazem confortantes, ainda que tenham, em seu cerne, um grande depósito de angústia. Somente pelo olhar da experiência é que vemos as situações da forma como elas realmente são, ou, no mínimo, da maneira mais aproximada possível. A capacidade de análise fica mais apurada e, ter pressa ou não, passa a ser mais uma escolha do que um ímpeto. E o risco também... muitas dores são calculadas. Assim como a culpa, como os remorsos, como a alegria. Logicamente, não falo de maneira absoluta e nem aplico esta premissa ou “verdade” a todas as questões. E isso, pode-se dizer, faz parte da maturidade. É ela que nos faz entender estes tipos de questionamentos, é ela que dá o alicerce para que a experiência seja escutada e tenha um lugar cativo ao lado do coração e das ideias. O que, por óbvio, não garante que iremos escutá-la sempre.
Somos mais livres quando entendemos que podemos ser felizes do jeito que somos, sem termos que prestar contas ou explicar, a todo momento, o porque de determinadas decisões ou atitudes.
Somos mais livres quando percebemos que um “foda-se” bem colocado, no momento certo, vale bem mais do que o silêncio ou um olhar pacato de aceitação. Ou do que uma revolta interna que nos garanta gastrites e enxaquecas.
Somos mais livres quando aprendemos a concordar, apenas para não dar papo ao que é fútil ou inóspito. Dar as costas para alguém que não merece nossa consideração, também pode nos trazer extrema felicidade... é verdade, sem medo de errar.
Somos mais livres quando entendemos que SIM e NÃO são palavras extremamente importantes para nossa saúde física e mental e que, muitas vezes, uma complementa a importância e o valor da outra.
Somos mais livres quando compreendemos nossas fraquezas e aprendemos a conviver com elas, sem que isso nos traga nenhum tipo de medo ou frustração, pois elas fazem parte de nossa personalidade. E esta citada liberdade nos faz focar naquilo que nos torna fortes, que nos engrandece, que nos faz melhores. Em nossas “especialidades”.
Somos felizes quando somos nós mesmos. Por não precisarmos mais das máscaras que usávamos, ainda que inconscientemente. Todas elas vão ficando pelo caminho, uma a uma, dando lugar ao verdadeiro “EU”.
Talvez muitos não estejam prontos para experimentar essa felicidade... mas carrego comigo a certeza de que ela vem para todos, de forma indistinta, no tempo certo.
E a grande notícia é que esta felicidade tende a aumentar... junto com reumatismo, memória fraca e outras mazelas que o tempo concede à matéria humana.
Mas e daí? O corpo é uma veste que, junto com as máscaras, ficará pelo caminho..
Enquanto a alma segue ao “pós”, o corpo retorna ao pó... pouco importando as lágrimas e o ranger de dentes. É isso.
Devemos ser um palanque de nossa própria felicidade, ainda que ela nos chegue aos poucos, após longa fustigação pelo tempo e pelas intempéries da vida.
Ser feliz é o que há!




segunda-feira, 29 de setembro de 2014

De noites e dias...

A contragosto, se dormiu o dia...
Cheia de insônias, se achegou a noite
De lua em lua, eu lambo as feridas
Com sal da alma, a curar açoites...

Poncho de noite, vazado em luz
De três-marias, cruzeiro e d’alva
Na madrugada, eu descanso a cruz
Busco a poesia - e ela me salva

Verte no verso, o que não espero
Tudo que sangra - e quase me mata
Chora minha pena e eu já não quero
Provar desgosto, no limiar de prata

Melodia rude, um valseado triste
Vem do infinito, para o coração
Até o tempo, já não mais insiste
Pois sabe o tempo desta solidão

Bem preguiçoso, se acordou o dia
A contragosto, vai se indo a noite
De sol a sol, eu lambo as feridas
Com mel da alma, adoço os açoites




sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A FOLHA EM BRANCO




A folha em branco é um desafio... um nada em busca de tudo... ou de parte... é o desleixo – ou a ingratidão – da arte. É o silêncio, em busca da palavra... é a palavra escondida pela escrita vazia, no pensamento não externado... é hemorragia contida, futura sangria desatada.
A folha em branco me assusta! Fala muito do que não foi dito, do que está guardado... ou, que não foi, sequer, ainda pensado.
É mar silente e revolto... superficial e profundo... é aldeia e o mundo!
A folha em branco é promessa... sonho realizado ou frustração! Contém o expresso e o oculto, o sim e o não...
É o poeta cansado... ou divagando. É o poema absorto, calando... ou o verso a voar, poetizando...
A folha em branco é a vida... querendo passar, ou simplesmente viver... é democrático espaço – ou não – a quem quiser escrever...
A folha em branco é segredo, que todos querem saber... talvez, o verbo indigente, que ninguém jamais declara e muito tentam esconder.
A folha em branco é o eterno... onde se espraia a vontade, ainda que não queira acontecer... é afirmação do contraponto, é o nascer... e o morrer.
Quiçá um desenho ou rabisco... intrigante princípio, do fim ou do início.
É o portal da sapiência... ou confirmação da ignorância... é o universo e o tempo, descansando a distância.
Ela espera a pena, que lhe deseja ou destrata... que lhe agranda ou apequena... que lhe afaga ou maltrata... é carinhosa ou ferina... sei que o vazio não lhe basta!
A folha em branco, assim como eu, tem sede e tem fome... sonha a fonte, para se alimentar e beber... somos bocas caladas, com almas esfomeadas, querendo dizer...

Caine Teixeira Garcia, Bagé/RS – 26/09/2014




domingo, 21 de setembro de 2014

Sobre política - um pouco...

Tenho profunda admiração por aqueles que concorrem em pleitos eleitorais... Não dos comprovadamente corruptos, não dos usurpadores da democracia, mas daqueles que enfrentam as dificuldades e os desafios que uma campanha política impõe aos seus "combatentes" com anseios e objetivos dignos... é uma caminhada desgastante e que acaba refletindo em todas as áreas das vidas dos candidatos...
Não é fácil dar a cara à tapa, em busca de objetivos, de ideais, de um sonho... ser olhado sempre com uma "lupa gigantesca" à cada movimento e passo dado... ter a vida investigada e, muitas vezes, distorcida aos olhos de seus iguais...
Sim, e o verdadeiro político trabalha, e muito...
Quem se candidata demonstra coragem e verdadeira vontade de mudança, alheio às vaias que, muitas vezes, são oriundas tão somente da inveja, da falta de preparo, do fanatismo, da vontade única e simples de desconstruir... não raro, por interesses indignos, daqueles que bradam por dignidade e por atitudes e condutas ilibadas.
Grandes políticos começaram brilhantes carreiras com muito esforço, lá em suas cidades e regiões de origem... não esmoreceram, deram e ainda dão o seu melhor...
Em contraponto, sabemos, existem os que nunca foram corretos e os que se perderam no caminho... mas isso, acontece em todos os setores e esferas com as quais interagimos... afinal, em tudo, nada mais temos do que os reflexos de nossa sociedade.
Mas uma coisa é certa: a política não é feita somente de corruptos, de mal feitores, de enganadores...ao contrário.
E a verdadeira política, essa é para poucos... e, com certeza, seus objetivos jamais lograrão êxito por meio de atitudes covardes.
Um abraço democrático a todos os corajosos... em suas mãos, até que provem o contrário, está o nosso futuro e o de nossa gente!

sábado, 20 de setembro de 2014

Obrigado meu Deus, pelo privilégio a mim concedido de nascer GAÚCHO! O Rio Grande do Sul é o estado com uma das mais lindas culturas do mundo. Tem ares e status de Pátria! Viva a imensa família gaúcha, viva o nosso povo guerreiro e liberto. Viva a nossa terra!
Desenho feito há uns 30 anos atrás, baseado em um obra de arte de Átilla Sá Siqueira.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

SOBRE SEMANA FARROUPILHA



Me agrada a Semana Farroupilha, embora não compareça a desfiles e nem tenha um cavalo à campo ou em cocheira para encilhar durante as festividades e desfiles...
Alheio às questões discutidas calorosamente sobre quem venceu ou quem perdeu a Guerra dos Farrapos (tenho minha opinião formada, de forma política, cultural e histórica), cada vez mais eu tenho certeza que a Semana Farroupilha é sim um movimento genuíno, autêntico e do qual os gaúchos se orgulham... e falo aqui tanto do gaúcho “de apartamento”, quanto do “campeiro”... o sentimento de orgulho que toma conta de nossa gente parece ser maior do que tudo e todos. Além de exaltar nossas tradições, nosso povo também aprova a exposição de nosso jeito bairrista de ser... e eu também aprovo.
E aprovo com a mesma convicção que me faz ser a favor dos CTG’s, ainda que com grandes ressalvas e desconfianças relacionadas aos patrões (oas) e suas patronagens, por motivos óbvios a quem conhece o meio. Este posicionamento, às vezes, me faz meio que perder a cabeça e acabo falando ou escrevendo muita bobagem das quais me arrependo depois, porque termino por atingir as entidades, devido a irritação que alguns destes seres me causam. Mas a grande verdade – e tenho dito isso reiteradamente – é que considero os Centros de Tradições Gaúchas um dos melhores ambientes que conheço,  quando neles é fomentada a cultura por meio de setores artísticos e campeiros fortes e atuantes.

Coisa linda, é ver um piazito e sua prendinha dançando uma “Tirana do Lenço,” “Tatu com volta no Meio” e demais danças...
É macanuda a gritaria e o divertimento proporcionado por uma partida de truco, por uma tertúlia livre, assim como os rodeios e festas campeiras se fazem importantes para a manutenção do que se tem conceituado hoje como movimento tradicionalista.
Penso que a questão recorrente quanto ao fato de os CTG’s cultuarem ou não a “verdadeira” tradição do RS, se faz ultrapassada, pois com erros e acertos, com baldas e manhas, com absurdos ou não, trata-se de tradição e ponto. São costumes, comportamentos, memórias e lendas perpetuadas através dos anos e, não há como deixar de dizer, arraigadas em nossa sociedade, ainda que em parte.
Assim sendo, encerro este ponto do assunto, reverenciando nossa bandeira e nossos costumes e tradições “cetegeanas”...acho até, que todas elas...
“Dito” isto, deixo agora, um alerta aos amigos do nosso meio “nativista” que teimam em dissociar-se do tradicionalismo, muitas vezes, inclusive, desfazendo e falando mal de CTG’s e do movimento tradicionalista como um todo: abram seus olhos, desçam de seus pedestais. Eu participei do movimento tradicionalista – e ainda participo, hoje de forma menos atuante - e sei que muitos dos artistas que autalmente sobem aos palcos dos festivais são oriundos de CTG’s, começaram lá suas carreiras, é lá que foram estimulados e desenvolveram seus talentos. Conheço, inclusive, gente que diz que desde sempre foi “gauchão”, “campeirão”, mas na verdade só conheceu cavalo depois que trocou a bicicleta, ou uma “garelli”,ou motinho, ou skate, por um cavalo emprestado para desfilar no “20 de setembro”. A maioria dos que vejo desdenhando do  movimento tradicionalista e das regras impostas por CTG’s não se dão conta de que é lá que está grande parte dos apreciadores de sua arte, os consumidores e clientes de seus trabalhos, seja o estilo que for dentro do meio... e ainda que estes sejam totalmente baseados em inverdades, como muito do que vemos e presenciamos por aí. Por horas, vestir as “alpargatas da humildade” e descansar a  língua ferina pode ser sábio. Prá que ser tão  “campeiro”? Nem todos se deixam enganar. Que sejam justas a remunerações pagas às brilhantes apresentações realizadas nos palcos do tradicionalismo... e que nenhum “cocho” seja virado... é desnecessário.
Os que são realmente contra, sugiro que não adentrem mais os CTG's, afinal, me parece contraditório. Aos que enxergam a existência de muita coisa errada mas apoiam o meio, sugiro que mostrem o caminho certo, digam de onde tiraram sua “literatura” interna e verídica, em que estão baseados. Mas não se apropriem de discursos de outros, não utilizem fragmentos filosóficos editados por cabeças, muitas vezes,  vazias.
Para muitos eu desejo menos pó – seja do tipo que for - na mente e nos livros e estantes.
Me parece que a hipocrisia anda bem mais a cavalo do que muitos dos que arrotam campo e mato, terra e galpão.
Por um lado, eu até entendo essa fome de mídia, embora muitos a reneguem, mesmo que estampados em manchetes conseguidas por meio da incessante busca por holofotes. Grande parte do marketing é feito e realizado pelo engodo que há em se dizer avesso a ele.
Um grande abraço e boa Semana Farroupilha a todos.